14/07/2012

"TRAGÉDIA" DA VIDA PRIVADA NO JAPÃO


Para quem não sabe, nesta seção, gosto de contar fatos do dia a dia que ocorreram e que acho que seria bom os marinheiros de primeira viagem ficarem sabendo que certas coisas, fazem parte da vida no Japão e que nem sempre são flores, mas que tudo é uma questão de adaptação.

Ontem fomos comemorar o aniversário de uma amiga peruana no Friday's de Shinagawa. Éramos bem uns 15, juntos, conversando, rindo e nos divertindo. No início, e logo no início, fomos informados que o último pedido da nossa mesa só poderia ser feito às 20h, ou seja, 2h depois. Bom, isso no Japão é muito normal. Mesmo pagando, você e seus amigos, embora estejam pagando, consumindo e se divertindo, devem sair depois de 2h. Inclusive churrascaria brasileira é assim também aqui no Japão!

Até aí, tudo bem. Bom, tudo bem, tudo bem, não, mas acho que quem mora aqui já sabe desse costume, digamos, estraga-prazer. Imaginem vocês que depois de comermos tudo, resolvemos pedir nossa última rodada de bebida e a sobremesa. Chamamos a garçonete, mas ela não ouviu e tampouco alguém apareceu para nos atender. Quando finalmente alguém veio, pedimos cada um uma bebida e sobremesa. Mas, porém, contudo, todavia e entretanto, já eram 20h10. 

Doce ilusão a nossa acharmos que a quantidade de pedidos que fizemos iria importar para eles! De repente, não mais que de repente, me aparece o garçom que pegou os pedidos, com o velho 申し訳ありません・ME DESCULPA, dizendo que o pedido não poderia ser registrado porque já havia passado das 20h!!!! Tentamos nos explicar e contar o que aconteceu... em vão! Outra garçonete já vinha logo atrás com  a conta fe-cha-da!! Sim. A vontade era de rodar a baiana, mas acho que todos estavam meio que conformados por morar no Japão e também, em respeito à aniversariante, ninguém quis arrumar confusão por causa disso. Mas foi incrível perderem tantos pedidos, por 10 minutos e sem a casa estar cheia, pelo contrário, estando 15 pessoas consumindo e pagando...

Tudo em vão!
Resolvemos pagar e esticar até outro local para enfim, 
tomarmos a saideira e comermos a sobremesa.

16 comentários:

  1. Caruso, obrigado por nos mostrar mais um belíssimo exemplo de disciplina e rigidez do povo japonês. Eu acredito que essa seja a origem do fato do Japão ser um país muito organizado e eficiente, mesmo que isso resulte em um povo estressado. Admitir exceções às regras, algo que vemos frequentemente no Brasil e que faz parte do nosso jeitinho brasileiro de ser, abre inúmeros precedentes e põe em risco a própria existência das regras ou mesmo a eficiência das leis. O que eu acho verdadeiramente uma tragédia é não conseguir andar na rua sem se preocupar com a minha carteira, é ver crianças morrendo por bala perdida e muitas outras passando fome enquanto eu posso comer minha sobremesa. Sinceramente, tenho inveja de você, que pode reclamar por excesso de regras, enquanto eu aqui sinto uma imensa falta delas.

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  2. Que estranho, mas costume é costume né?

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  3. Caramba, que chato isso, odeio esses tipos de regrinhas daqui. Só acho estranho que até agora não vi esse tipo de limite nos restaurantes, é bem "visível" o aviso? Só lembro de ter 1h para comer quando era num Yakiniku do tipo "coma-a-vontade" hehe

    Abraços

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  4. Nossa q chato isso neh ? mas aqui eh assim mesmo , tudo tem que ser como esta no manual ! A mesma coisa vale pra pechinchar , aqui naum existe isso , vc vai numa loja , ta escrito que aquele aparelho eh o ultimo , o que esta de exposicao e nem assim eles baixam o preco !ou melhor , baixam sim , 100 ou 200 ienes ! horario pra abrir e fechar as lojas tbem , nem um minuto a mais e nem a menos ! tudo funciona no horario certo , eh bom , mas tem hora que eh ruim rsrs !

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  5. Máquina de vendas a manivela é muito japão.

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=kDaQR4NudKw

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  6. Interessante no Japão essa regra pois demonstra justamente uma característica do povo japonês:A TIMIDEZ. Os japoneeses odeiam lugares lotados.
    A flexibilidade em demasia faz com que o brasileiro ache a corrupção algo normal(pode ser que tenha corrupção no Japão, não conheço esse país).
    Exemplos:
    Um real de desconto a menos não faz diferença, assim como 3,10 100 de um produto que custe R$200.
    O médico não pode marcar a consulta para hoje, pois ele está de férias, aliás, nenhum médico do hospital público, nem hoje, nem essa semana, nem esse semestre, para uma cirurgia de câncer com metástase.
    Dá um jeitinho de me arrumar um empréstimo, por que não um cargo público para ganhar R$12 mil mesmo sendo rescém formado em ciências ocultas?
    Esse rabisco é o número um, assim como isso é uma receita médica emitida pelo veterinário para comprar lexotan, e assim como essa assinatura que faço é uma assinatura da minha avó para os, receber os proventos atuais dela que já morreu faz mais de 20 anos.

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  7. Maurício,

    Você tem total razão. Isso que você falou é que são exemplos de tragédias. Claro que quando eu chamo de tragédia, faço questão de por entre aspas, mas escrevo estas coisas para que as pessoas possam conhecer um outro lado do Japão. Claro que poder comer sobremesa e andar preocupado com a segurança são duas coisas incomparáveis, mas vivendo no exterior eu aprendi que jeitinho brasileiro e benevolência são duas coisas bem distintas e, vivendo no Japão, pude confirmar o que meu pai sempre me disse, "Tudo em excesso é prejudicial". O que no Brasil tem de menos, aqui tem de mais. Não sou contra regras, mas acho que ser benevolente em certas horas, não faz mal a ninguém. Não digo deixar o preso sair um pouco para passear e voltar para a cadeia, mas deixar 15 pessoas uns minutos a mais e consumindo, não creio que vá ter o mesmo efeito, me entende? Obrigado pela sua visita e pelo comentário. Até a próxima!

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  8. Heloise,

    Sim. Viver no Japão é isso mesmo. Achar estranho mas ter que se adaptar para não sofrer tanto. Aliás, creio que em qualquer lugar que não seja o nosso de origem, não é mesmo? Obrigado pela visita! Volte sempre!

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  9. Ick,

    É mesmo. Algumas regrinhas são mesmo chatas. Inclusive esta eu acho muito chata, principalmente quando se está consumindo, pagando e fazendo exatamente o que as outras pessoas estão fazendo. Enfim, mas morar em outro país é assim mesmo, ver regras estranhas, mas ter de cumpri-las. Valeu pela visita!

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  10. Fernanda,

    Sim. Aqui é assim mesmo! Essa de pechinchar também não dá muito certo. A falta de jogo de cintura aqui impera...infelizmente. Bom, obrigado pela visita!

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  11. Antonio,

    Interessante....digo, a ideia é boa, mas ter que rodar 70 vezes é brincadeira, né não? Bom, se bem que num momento de desespero, é melhor que não ter nada, não é mesmo? Valeu pelo link!

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  12. Eduardo,

    Não creio que seja por eles serem tímidos. Assim como também não acho corrupção uma coisa normal. Aliás aqui também tem e na Alemanha tbm - digo isso porque estava conversando com um alemão ontem e ele me disse. Mas como eu sempre digo, jeitinho brasileiro e benevolência e um pouco de flexibilidade são coisas diferentes para mim. Digo, eu poder ficar mais alguns minutos, não creio que seja comparável com os exemplos que vocie mesmo mencionou e que eu concordo com vc que sejam muito mais graves e vergonhosos. Bom, obrigado pela visita. Volte sempre!

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  13. Eu acho esses posts falando do dia a dia muito interessantes. Pelo simples fato que as pessoas tendem achar que tudo será flores em outro lugar. Confesso-te que sou uma dessas pessoas, mas a realidade e outra e temos que lidar com ela.
    Nós brasileiros sempre achamos que dá para jeitinho em tudo, mas nem sempre é assim. O fato de estarem consumindo não muda a regra do local e nem eles reparariam no atendimento precário que deram, demorando horas para fazer o pedido. Infelizmente essas coisas acontecem em todo tipo de lugar, mas por não está no nosso país de origem parece incomodar mais.
    Chato essas coisas de fato. Contudo, vivendo e aprendo sempre.

    Desculpe-me se pareci rude - realmente não foi minha intenção -, somente quis comentar. Com certeza, uma "tragédia", ainda mais em uma comemoração de aniversário. Sempre venho aqui ler, mas fico tímida em comentar.

    Gosto das coisas que escreves.

    Anna.

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  14. Anna,

    Não há de que pedir desculpas. cada um tem sua opinião e, além do mais, não vi problema algum no seu comentário. Só eu gostaria de comentar uma coisa: não creio que se deva dar jeitinho em tudo somente por ser brasileiro. Primeiro porque como eu já comentei aqui, jeitinho e benevolência, para mim são duas coisas completamente distintas. Segundo, na ocasião, não estavam somente brasileiros. Tinha alemão, australiano, peruano, japoneses que se indignaram tanto qto nós e que tbm tentaram argumentar, pedir, solicitar, mas que tbm foi tudo em vão. Obrigado pela visita e pelo comentário! Não se acanhe em comentar, mesmo que sua opinião seja diferente da minha. Tudo bem! Não querendo que eu mude a minha opinião particular, já está de bom tamanho...rs. Até a próxima!

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  15. Interessante o post Caruso,mas acho que acabo tendo que concordar com o "lado" japonês.
    Ontem mesmo cheguei num restaurante (回転寿司) onde fechava às 23:00 e o atendente veio com o manjado "moushiwake arimasen", agradeci, dei meia volta, olhei pro relógio, 22:47, e antes de sair do restaurante dei uma olhada na placa na porta:

    FECHAMOS AS 23:00
    ENTRADA PERMITIDA ATÉ ÀS 22:45

    Você acha que eu fiquei P da vida,querendo rodar a baiana e reclamando das regras "demasiadas" do Jp?
    Ou dei graças aos céus por viver num lugar onde se pode acertar o relógio com o horário que o ônibus chega no ponto?

    "Robotização" é uma coisa meio chata mesmo agora regras... acharia chato se eu fosse um pouquinho mais folgado e achasse que 2 ou 5 minutos não fariam diferença alguma..

    Abs!
    Continue com os posts interessantes de sempre!

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  16. Eu concordo que as coisas em demasia atrapalham. Mas é uma questão cultural. Só que quem não gosta de sair com os amigos familias e perder as horas em um bar/restaurante?Quando saio com a familia ficamos ate umas 4h ou mais!!! E acho bom que os brasileiros são mais flexiveis,apesar de isso atrapalhar em muitas coisas,somos bem menos estressados. Essa 'burocratização' muitas vezes vem mais para o mal do que para o bem. Na minha universidade temos um coordenador que quer fazer tudo conforme o manual,ou criou prazos para tudo,e muita coisa so atrapalha!Não é jeitinho,é questão de porque prejudicar se não precisa?
    Nesse caso,sendo novata,eu ia rodar a bahiana so por costume heuheueu xD
    mas eu compreendo essas coisas,so que não fico quieta (acho que e a parte italiana da familia,italiano sempre acha que pode criticar quando quer :P)

    abraços

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