30/03/2013

VIOLÊNCIA: FUNCIONÁRIOS X PACIENTES

Ontem li uma reportagem sobre a violência a qual é exposta funcionários de hospitais. No Japão. Isso mesmo. Mas mais interessante do que a reportagem em si, foi que a todas as pessoas que comentei sobre a tal matéria, todas, exatamente todas,  - detalhe: todos brasileiros - tiveram a mesma reação. Todos disseram coisas como: "É meu filho, você está fora do Brasil há muito tempo e esqueceu como são as coisas no Brasil é?!". O que eles não sabiam era que a matéria que eu havia lido estava em japonês claro e falava sobre a lastimável situação dos hospitais, no Japão.

Isso mesmo. A matéria era sobre o resultado de uma pesquisa que mostrava que cerca de 40% dos funcionários de 11 hospitais japoneses, sofreram algum tipo de violência. Segundo a reportagem, os atos violentos incluíam desde ameaças com objetos cortantes, com muletas, passando por socos em médicos e assédio sexual ou humilhações a funcionárias. A matéria é grande por ser bem explicativa e detalhada. Eles expõem resultados de porcentagem de funcionários vítimas de chutes, agressões verbais, beliscões etc. Os dados são impressionante!

A matéria mostra também a opinião dos próprios funcionários para o que poderia ser a razão pelas quais os pacientes podem ter sido movidos a causar tais atos de violência. Alguns, admitiram que poderia ser falta de infromações suficientes providas aos pacientes. Cerca de 15% dos funcionários, afirmaram que pode ter sido a longa espera que os deixaram revoltados, outros, cerca de 11%, suspeitam ter sido a própria postura dos médicos a grande vilã da história.

Para quem sabe ler japonês e deseja ler o que eu li, logo abaixo está a reprodução da matéria:

JAPONÊS・日本語

「目の前で患者が松葉杖を振り回し、医師を殴り付けた」「刃物をちらつかせることもある」-。東京都内の私立大附属病院本院11施設で構成される「私立大学病院医療安全推進連絡会議」は29日、11施設の職員2万2738人のうち1万79人(44.3%)が、暴言や身体的暴力、セクハラなど何らかの「院内暴力」の被害を過去1年間に受けたことがあるとの調査結果を発表した。

 院内暴力を患者から振るわれたケースは、身体的暴力では9割超だが、セクハラでは84.2%、暴言では69.2%で、患者の家族や見舞客からの院内暴力も少なくないことが分かった。
 内容を複数回答で聞くと、暴言では、「ふざけるな」など「言葉」が25.9%で最も多く、以下は「苛立つ態度を取られた」(25.6%)、「鋭い目つきでにらまれた」(18.2%)などの順。身体的暴力は、「叩かれた」(18.3%)、「蹴られた」(14.2%)、「つねられた」(13.2%)など。セクハラでは「身体を触られるなど身体的行為」が最多の40.6%で、以下は「体型や顔の指摘などの精神的行為」(17.1%)、「(女性・男性)のくせになど性差別行為」(12.3%)などと続き、「電話・手紙・尾行などストーカー行為」も5.2%あった。

 「院内暴力の要因は医療者側にもあったと思うか」との問いに対しては、45.6%が「あった」と回答。具体的には、「説明や確認の不足」(19.0%)や「長い待ち時間」(15.5%)、「医療者の態度」(11.8%)、「患者の意に沿わない医療行為」(10.6%)などが、複数回答で挙がった。

LISTA DE VOCABULÁRIOS・単語一覧

目の前で・me no mae de・diante dos olhos
患者・kanja・paciente
松葉杖・matsubadzue・muleta
医師・ishi・médico
殴る・naguru・dar socos
刃物・hamono・objeto cortante
病院・byouin・hospital
職員・shokuin・funcionário
暴言・bougen・violência verbal
暴力・bouryoku・violência
セクハラ・sekuhara・assédio sexual
家族・kazoku・família
見舞客・mimaikyaku・visitante (hospital)
過去・kako・passado
調査・chousa・pesquisa
結果・kekka・resultado
身体・karada・corpo
苛立つ・iradatsu・ficar irritado
叩かれた・tatakareta・apanhou
蹴られた・kerareta・levou um chute
性差別・seisabetsu・preconceito sexual
説明・setsumei・explicação
確認・kakunin・confirmação
不足・fusoku・insuficiente
待ち時間・machijikan・tempo de espera

17/03/2013

EVENTOS JAPONESES REALIZADOS COM TECNOLOGIA E ORGANIZAÇÃO JAPONESAS

Gosto muito da organização dos japoneses com relação a eventos grandes e que envolvem o público em geral principalmente. Admiro a preocupação que eles têm em informar tudo nos mínimos detalhes e a consideração para com o público. Você vai em um evento no Japão, você sabe a hora que começa, a hora que termina, a entrada onde é, por onde entram os convidados, por onde entram os que ainda não cmpraram o ingresso, horário disso, detalhe daquilo. Chegando lá, não faltam indicações e muitas vezes, pessoas são "colocadas" em pontos estratégicos simplesmente para dar informação. Isso quando não tem gente desde a estação mais próxima, para irformar como chegar ao local do evento! É impressionante!

Imaginem vocês que na época do verão por exemplo, quando há queima de fogos de artifícios em várias partes do Japão, tem sempre algum especial no Yahoo Japan ou mesmo revistas e sites especializados, divulgam os locais das queimas, quantos fogos serão lançados, durante quantos minutos o público poderá deslumbrar do show pirotécnico etc etc. OK. 


Agora por exemplo está na época da floração das cerejeiras. Imagem, um mapa é divulgado com as datas prováveis em que as árvores eram ficar completamente rosas com a floração das cerejeiras! Isso sem falar que o próprio Yahoo Japan, daqui a pouco, deve inaugurar uma página especial com informações de todos os parques do país (!) com os horários, endereços e tudo mais sobre os parques com cerejeiras. Sem contar também que tais informações incluem muitas vezes, número de árvores que há no parque, tipo de flor de cerejeiras que há e mais! Periodicamente eles informam a porcentagem de árvores que já floresceram!!!!É muita organização! Confira abaixo, o mapa divulgado recentemente para este mês!


Neste outro site especializado, você também encontra outro mapa, além de gráficos e tabelas que mostram os locais onde você pode visitar para ver as cerejeiras em flor. Há também tabelas com locais e dias em que os primeiros botões de flores se abriram e a data em que estará tudo aberto por completo! Tudo isso e muito mais você encontra neste site: http://sakura.weathermap.jp/. Mesmo que não sabe ler japonês, vale dar uma olhada e sentir a organização! Ah! Neste outro site encontrei uma tabela com a porcentagem de flores que já abriram, separados por região de todo o país! Veja AQUI!

11/03/2013

11 MARÇO DE 2011: PARECE QUE FOI ONTEM



Parece que foi ontem. Eu estava lá. Não lá, lá exatamente no local do terremoto ou mesmo do tsunami que carregou e destruiu tudo. Mas estava em uma província próxima, Gunma. Lembro como se fosse ontem.

Eu tive que ir lá a trabalho. Um comediante famoso peruano iria se apresentar para a comunidade peruana e eu estaria trabalhando em um estande montado nos corredores do teatro onde se realizaria a aprsentação.

Mas não deu. Estávamos no caminho, já na província de Gunma. Nosso carro, levava eu, no banco do carona, o motorista japonês e uma colega de trabalho peruana, sentada no banco de trás. Paramos no sinal vermelho. E aí, tudo aconteceu...

...o carro começou atremer de um lado para o outro. Era como se três homens fortões dispostos em cada lado do carro balançassem  o veículos de modo a nos intimidar. “É terremoto!”, disse calmamente o motorista. Logo nos demos conta que era mesmo, pois os outros carros próximos também tremiam e os fios dos postes também.

O que a gente não sabia era o quão grave era. Mas aos poucos fomos nos dando conta e o medo começou a bater a nossa porta, bem devagar. Olhei para fora e vi as pessoas desesperadas saindo dos prédios e indo quase que para o meio da rua. Mas quando chegavam lá, a chuva de vidro que caía das janelas, as obrigavam a voltar correndo e se protegerem nas marquises dos prédios.

Pronto. Parou. Terremotos são assim. Dão, mexem tudo e param. Avançamos com o carro até o próximo sinal. Pronto. Tudo de novo. O carro começou a tremer de novo e era um novo tremor. Dessa vez, mais rápido.  Quando parou, seguimos nosso caminho rumo ao teatro. Mas agora, já desconfiados  de que o terremotos que havíamos sentido não era normal.

Chegamos ao local do teatro e o desespero era total. As pessoas ainda estavam no saguão e nenhum estande estava armado. Perguntamos o porquê daquilo tudo e daquele clima. O segurança nos informou que o abalo foi muito forte e que o teto do teatro havia desabado e estavam ocorrendo muitos tremores seguidos e eles temiam pela vida de tantas pessoas.
Ficou aquele clima de vai ter ou não vai ter. O artista chegou, mas não pôde entrar nem mesmo no camarim e ficou no meio do povão. Quando percebi, estavam todos com os olhos fixos na TV. Pronto, foi aí que todos se deram conta – inclusive nós – do desastre. Os canais de TV mostravam todos o tempo todo em todos os lugares onde as destruições foram maiores. 




Felizmente, onde estávamos, nada de destruição grave ou risco de ondas gigantes. Mas sentir aquilo tudo de perto foi terrível. O clima que tomou conta do Japão foi terrível. Eis que um novo terremoto se inicia, todos são evacuados para fora do teatro no estacionamento, onde o local é aberto. As pessoas correm olhando para cima e depois que estão no estacionamento, não tiram os olhos do chão, com medo de que o solo se abra.

Terremotos no Japão são frequentes. Sempre tem. Mas em geral são rápidos e não cai muita coisa. O problema é quando demora e quando a gente vê destruição ou mesmo ver as coisas da sua casa caindo no chão. Aí sim, bate um, digamos, uma ponta de frio na espinha...

As pessoas tentavam localizar seus parentes pelo celular, mas nessas horas, nenhuma operadora funciona. Nos orelhões, a fila se torna, de repente, quilométrica. Todos querendo localizar seus familiares e ao mesmo tempo informar que estão bem.  
O show foi cancelado. A feira, na qual eu trabalharia, também. Algumas pessoas se revoltaram com o dinheiro pago pelo ingresso. Outras estavam morrendo de medo. A confusão foi geral.  O artista, coitado, que era comediante, ficou sério o tempo todo e não desgrudava da TV que estava no saguão. Ele não saiu de lá. Só saía quando gritavam: “Pra fora! Pra fora! Terremoto!!!”.

Com a certeza de que não havia trabalho a ser feito, resolvemos ir embora e voltar para Tóquio.  Mas o caos no Japão, ou melhor, naquela região onde estávamos, já estava formado. Um percurso que demoraríamos no máximo 2 horas de carro, fizemos em 9, isso mesmo, nove horas! As vias expressas e viadutos haviam sido fechados para evitar acidentes. Por isso, todos os carros tiverem que seguir por baixo. Era carro e carro que não acabava mais. Andávamos de centímetro em centímetro. E quando achávamos que éramos espertos e tentávamos cortar caminho, nos deparávamos com outros espertos no mesmo lugar.

Tentamos parar para comer com 6 horas de viagem. Mas em vão. As filas eram enormes e quando encontramos um restaurante que parecia, digamos, “entrável”, foi botar o pé dentro que a atendente nos recepcionou com um belo “Não tem comida!”. Resolvemos seguir mais um pouco de carro e, de repente, PUM! Blecaute total. Passávamos por ruas e ruas escuras. Nenhum lugar aberto para entrar. Nem uma loja de conveniência. Aliás, esqueci de comentar que chegamos a parar em uma, mas as prateleiras estavam lisas!

Cheguei em casa às 4 da manhã. Naquele dia, eu hibernei! Mas foi ligar a TV que já me dei conta de como estava o Japão do lado de fora da minha casa. Aliás, minha casa estava mexida. Móveis fora do lugar, livros no chão. Parecia cena de roubo. Mas não era.

Passei pelos menos dois meses dormindo de roupa de sair. Os terremotos continuaram e eram bem frequentes. Quando dava de madrugada e demorava, dava medo, e então, dava vontade de sair correndo para fora.

Eu morava no primeiro andar. Coloquei na porta da varanda um jornal, onde em cima estava meu sapato – já que não entrava de sapatos em casa – e ao lado, uma mochila de sobrevivência com comida, chocolates, passaporte, dinheiro e documentos. E, como falei, dormia de roupa comum.

Em Tóquio, nada de tsunami. Nada de piso aberto. Tudo o que as pessoas acompanhavam na TV, nós no Japão também, acompanhávamos!  Foi assim durante muito tempo. Depois começaram as lutas pelo não-sensacionalismo das TV estrangeiras que deixavam nossos amigos e parentes fora do Japão desesperados. E o medo das usinas explodirem e nós todos morrermos? Era um tal de volta para o país ou não volta! Parecia que o mundo iria acabar e deveríamos escolher onde e com quem gostaríamos de morrer. Só se falava nisso. Explosão. Contaminação. Morte. Resfriamento da câmara disso, câmara daquilo. Mas isso já é outro assunto e que rende muito pano pra manga. Mas que atormentou, atormentou!


 Deixo aqui minhas condolências pelos mortos, meus sentimentos às pessoas que perderam seus entes queridos e minha torcida para os que sobreviveram à tragédia e ainda vivem em condições precárias em alojamentos provisórios!

Sim, mostraram na internet uma estrada que ficou pronta logo, bonitinha, rapidinho, elogiando os japoneses e desprezando as obras no Brasil, mas a verdade é que ainda existe muita gente em alojamentos e muita coisa a ser feita por lá. Mas isso acho que a imprensa estrangeira não vai mostrar...

Oremos por todos...por nós todos!

04/03/2013

FACEBOOK EM JAPONÊS


Dia desses estava conversando com uma amiga minha japonesa que vive no Brasil e rimos muito porque o meu Facebook está em japonês e ela, japonesa, usa o FB em português. Só nos demos conta porque, conversando, eu falava os termos do site em japonês e ela os conhecia em português e se espantou com as traduções. Lembro que ela não parou de rir quando eu disse 共通の友達・KYOUTSUU NO TOMODACHI, para "AMIGOS EM COMUM".

Gosto de usar o FB em japonês, não para parecer metido ou para me gabar por saber ler - interpretações estas que já ouvi - mas uso simplesmente para praticar o idioma japonês. Eu sempre aconselhei e aconselho a qualquer pessoa que queira aprender uma nova língua, que incorpore o idioma em sua vida nas mais diversas situações. O importante é estar sempre em contato e estar sempre praticando e não somente no curso ou só estudar quando houver dever de casa.

Sempre me perguntam quanto tempo é preciso para aprender a falar japonês e quanto tempo eu demorei para tal. Sobre mim, eu mesmo não sei precisar quanto tempo levei, até porque, não levei um certo tempo para aprender, eu sigo aprendendo! Estou sempre estudando e, ao contrário do que muita gente pensa, há muitas coisas que sei que preciso aprender e eu não sei todas as palavras não. Acho que o tempo de aprendizado de qualquer idioma, depende muito da força de vontade de cada um!

Mas voltando ao Facebook. Realmente para quem está acostumado com os termos em português, a versão em japonês pode ser realmente algo interessante ou mesmo de outro mundo. Mas como seriam os termos "curtir"? E "comentar" ou "compartilhar" em japonês? Vejamos agora uma lista deste e de outros termos da rede social.

CURTIR = いいね!・ II NE!
COMENTAR = コメントする・ KOMENTO SURU
COMPARTILHAR = シェア・SHEA 
PÁGINA INICIAL = ホーム・HOOMU
STATUS = 近況アップデート・KINKYOO APPU DEETO
ADICIONAR FOTOS / VÍDEOS = 写真・動画を追加・SHASHIN・DOOGA WO TSUIKA
FEED DE NOTÍCIAS = ニュースフィード・NYUUSU FIIDO
EVENTOS = イベント・IBENTO
FOTOS = 写真・SHASHIN
AMIGOS = 友達・TOMODACHI
AMIGOS EM COMUM = 共通の友達・KYOOTSUU NO TOMODACHI
RECÉM-ADICIONADOS = 最近追加した友達・SAIIRIAI KAMO?
SUGERIR AMIGOS = 友達を紹介・TOMDACHI WO SHOOKAI


Outra diferença do FB no Japão em relação ao Brasil - até porque em relação a outros países eu não saberia dizer - é que acho o povo japonês muito desconfiado - OK, precavido, numa interpretação mais otimista - com essa coisa de "privacidade" ou "informações pessoais". Tudo bem, concordo que deve haver e eu mesmo penso muito nisso e evito muito me expor e expor muitos fatos familiares e fotos em excesso. Mas com os japoneses a coisa tem uma proporção ainda maior! Tem muito japonês que conhece o FB mas não entra porque "as pessoas usam seus nomes verdadeiros". Isso mesmo! Já ouvi muito isso! E para comprovar, o Mixi está aí. O Mixi é uma espécie de Orkut japonês e com a principal característica de a maioria esmagadora das pessoas não usar o nome verdadeiro na rede social! É raro, você ver alguém com o nome "de batismo".


Outra coisa que me impressionou quando o FB começou a chegar e a ser conhecido no Japão -  quando muitos de nós estrangeiros já usávamos há muito, mas muito tempo - foi a quantidade de livros praticamente didáticos explicando o passo a passo de como utilizar o Facebook! Era, ou melhor, ainda é impressionante a quantidade de livros que se vendem com este assunto! São livros e mais livros do tipo "Perguntas & Respostas e o Ultra-Básico do Facebook" (foto acima). Mas são muitos realmentes! Fora as revistas que vira e mexe trazem algo sobre o FB e algum esclarecimento para os usuários ou para quem ainda está na dúvida se entra ou não no FB. Isso sem contar aqueles que falam sobre a rede social mais famosa do mundo pura e simplesmente sem ensinar, mas para apresentar mesmo. Encontrei até este (foto abaixo) que traz na capa os seguintes dizeres: "O Facebook é Perigoso!" e mais embaixo, na barra azul claro, o complemento: "Suas informações estão sendo roubadas! Clique aqui.".

Não escrevi este post para defender o FB ou falar mal dos japoneses que não estão no FB, mas apenas comentar o que percebi sobre a rede social no Japão e o quão impressionado eu sempre fico quando vejo livros e livros, alguns grossos até,  unica e exclusivamente sobre o assunto! Para se ter uma ideia sobre o que estou falando, no amazon.co.jp, ao digitar "facebook" na caixa de pesquisa, saem mais de 6 mil livros e revistas sobre o assunto! Mas claro, tenho muitos japoneses no meu FB e que seguem a regra principal para ser meu "amigo de face": eu apenas costumo aceitar quem eu já conheço pessoalmente. Sim, posso ser apontado como uma pessoa preocupada com a privacidade, mas não chego aos pés da maioria dos japoneses que eu conheço e que muitos, utilizam tranquilamente seu "orkut japonês" sem o menor pingo de preocupação. Lembro que eu achava e acho dificílimo aceitar algum pedido para ser meu amigo, porque muitas vezes, não sabia  quem era o dono do apelido que está querendo me adicionar, e aí fica muito difícil. Tenho que estar sempre perguntando, "quem é você?" ou " de onde nos conhecemos?". Mas a página do Muito Japão no FB está de portas abertas para quem curte o blog e quer fazer amizades com outros leitores, outros fãs do Japão e da cultura japonesa em geral! E se você ainda não é membro, não há problema! Você pode agora clicar no F que está na barra lateral do blog e se acrescentar! Mais de 300 membros esperam por você! 

VIDA PRIVADA NO JAPÃO! EPISÓDIO DE HOJE: ONDE COMPRAR CHIP NO JAPÃO?

De repente lembrei de quando trabalhei no hotel onde ficaram hospedados cerca de 700 brasileiros, torcedores do Santos no ano retrasado. Meu trabalho era ficar no estande da empresa onde eu trabalhava e vender cartões telefônicos, entre outros serviços para que meus conterrâneos pudessem se comunicar com quem havia ficado no Brasil. Pois bem.

Entre as várias perguntas que os brasileiros nos faziam, uma particularmente me chamou a atenção. Primeiro por eu não entender muito bem do que se tratava e depois por ser uma coisa que não há no Japão. Trata-se do comércio de chips. Muitos, mas muitos brasileiros nos perguntavam onde eles poderiam comprar chips de operadoras japonesas.

Eu na verdade sabia o que eles estavam falando, mas não estava entendendo exatamente sobre o que significava "comprar chips" e a maneira com que eles falavam, parecia algo tão banal de se fazer que aí foi que fiquei mais impressionado.

Explico. No Japão, não há esse livre comércio, digo, esta facilidade que se tem no Brasil de comprar chips de diversas operadoras e bem baratos para se usar no aparelho de sua preferência. No Japão atual, de 2013, ainda é como era antigamente no Brasil, quando cada operadora tinha seus próprios aparelhos de telefone e os chips bloqueados. No Japão ainda é assim. Não é possível comprar um aparelho de celular que você gosta e usar o chip da operadora que você goste!

Por exemplo, uma operadora famosa no Japão, a SoftBank - que não é banco - tem uma gama de aparelhos de celulares para vender. Se você é desta operadora e gostou de algum modelo, você pode escolher e  comprar qualquer um. Porém se sua operadora for outra, a  au (lê-se "ei iu") por exemplo, e você gostou de um aparelho celular que viu na loja da Softbank, o problema é todo seu, pois você só pode comprar os aparelhos de celular vendidos pela sua operadora, ou seja, a au. Normalmente não se vende celulares sem operadoras! 

Infeliz é assim. Eu por exemplo, tive que mudar de operadora para comprar meu iphone, na época. Isso porque quando o iphone chegou ao Japão, apenas UMA operadora vendia o celular da Apple. Eu, naquela época, era de outra operadora, ou seja, uma operadora que não tinha iphone, logo, eu não poderia comprar um iphone para usar com o chip da minha operadora! Até hoje é assim! mas hoje, outra operadora, a au, já vende também. Outra, mas não todas! Ou seja, se o cara é da willcom e quer um iphone, paciência, ele terá que mudar de operadora se quiser ter um!

Recentemente falei com japoneses que foram ao Brasil a trabalho e ficaram encantados com a facilidade, primeiro de se poder comprar o aparelho de celular que você queira em qualquer loja, independente da operadora que você tenha e, depois, da facilidade e do preço que se compra chips no Brasil. Eles adoraram e ficaram muito espantados com o avanço (até mais do que no Japão!).