19/06/2014

CALAMIDADE NO DIA A DIA

Até certo ponto é maneiro como algumas catástrofes fazem parte do nosso dia a dia no Japão. Não estou dizendo que é maneiro ver pessoas morrendo ou perdendo suas casas em tsunamis e terremotos. Me refiro ao preparo, as informações e tudo que faz das calamidades ao muito presente no nosso dia a dia. É comum por exemplo você estar relaxado na sua casa, vendo sua TV tranquilão e, de repente na parte superior da tela aparece uma mensagem sobre um terremoto ocorrido em algum lugar do Japão. 

O mais maneiro disso é que, dependendo da intensidade do terremoto, nem rola de interromper a programação para um plantão nem nada. A mensagem, - algo do tipo "Acaba de ocorrer um terremoto em tal lugar com intensidade tal. Não existe perigo de tsunami" - aparece até mesmo se você está assistindo um hilariante programa de comédia ou mesmo vendo sua novela preferida. No vídeo abaixo, você pode ver como o aviso aparece durante a exibição de um canal de vendas. 



Neste outro vídeo abaixo, o aviso, além de aparecer mais claramente, por se tratar de um programa ao vivo, é comentado e transmitido pelo apresentador. Vale destacar que o som do alarme é quase sempre o mesmo, por isso, dá mesmo uma certa aflição ao ouvirmos o trim-trim, trim-trim, de onde quer que estejamos na casa. Aliás, o som é o mesmo dos atuais aplicativos que fazem o mesmo papel! Vejam como o aviso aparece na TV...


Se for um terromoto muito forte, claro que a programação é interrompida e as informações sobre o terremoto ocupam um espaço maior da tela. Vejam este outro vídeo que transmitia uma reunião de parlamentares. Além de interromper a programação, entrou imagens do plantão mas a imagem do parlamento continuou para mostrar que lá também estava tremendo. Além disso, o próprio apresentador do plantão dizia que os estúdios onde ele estava estava tremendo também e aconselha: "Ajam com calma".

Quando um tufão se aproxima, é comum acompanharmos sua trajetória pelos telejornais que anunciam onde está o tufão, por onde ele vai passar, a que horas e quando irá se afastar do arquipélago. O mapa mostrado normalmente é este da foto abaixo.



Se for na TV, normalmente as informações são transmitidas durantre a previsão do tempo. Vejam mais ou menos como seriam passadas as informações sobre o tufão na TV em um telejornal do Japão.



Ah! Esqueci de comentar que caso você esteja utilizando o Yahoo Japan! na hora de um terremoto, um aviso sonoro lhe indicará que uma mensagem apareceu na página principal - normalmente embaixo do nome Yahoo Japan! e em cima da caixa de preenchimento para pesquisa. Na mensagem, assim como na da TV, será informado do epicentro do terremoto, a hora e se há ou não perigo de tsunami. 




17/06/2014

CHEGOU! KUAT NO JAPÃO


CHEGOU! Depois do quase monopólio do guaraná Antártica - "quase" porque no Japão, além do guaraná Antártica, tem outros guaranás genéricos que a gente brasileiro nunca ouviu falar - chegou o guaraná Kuat no Japão! O guaraná pode ser encontrado em garrafa de 490 ml e será produzido no próprio arquipélago nipônico.


Aliás, acho até que vai ser mais fácil comprar Kuat do que Antártica, já serão ao todo 17 mil lojas vendendo o guaraná Kuat, enquanto que a latinha do guaraná Antártica - apesar de ter até a versão em japonês - não se encontra em todo lugar e nem é tão conhecido pelos japoneses comuns, digo, sem ser aqueles que são admiradores do Brasil ou que já tenham vivido ou visitado nosso país. 

O guaraná Kuat já está está à venda no Japão desde o último dia 17 de junho e já tem brasileiro feliz com a novidade. O Ivan Nozaki é um deles. Ivan vive no Japão há quase 10 anos e encontrou o guaraná Kuat sem querer em uma loja de conveniência na capital japonesa. "Foi a maior conicidência porque começou a ser vendido naquele dia mesmo e foi uma supresa entrar numa loja de conveniência comum, japonesa, e dar de cara com o guaraná brasileiro". Ivan explica que apesar de nunca ter sido muito fã de refrigerante enquanto morava no Brasil, às vezes ele sente vontade de tomar uma guaraná. Ainda segundo Ivan, para comprar o guaraná Antártica, ele precisa ir a uma loja de produtos importados. Mas e o gosto? Será que é igual ao do Brasil? "Talvez com gás um pouco mais fraco do que os refrigerantes do Brasil, mas o sabor é praticamente o mesmo", explica ele.

FOTO:
Ivan Nozaki mostra com orgulho verde-amarelo a garrafa de guaraná Kuat que comprou na loja de conveniência 

QUEM MEXEU NO MEU LIXO?

É, pelo visto, muitos brasileiros conheceram outra caracterísca do povo japonês: a consideração para com o outro. Bom para quem não captou ainda, estou me referindo à cena que bombou na mídia brasileira e nas redes sociais que serviram para ovacionar os japoneses que recolheram o próprio lixo na partida do Japão contra a Costa do Marfim na Arena Pernambuco.

Para muitos brasileiros, a cena parecia algo utópico, algo inimaginável de se testemunhar no Brasil. A verdade é que no Japão tal ação não tem nada de extraordinário. Tanto que os japoneses com quem eu conversei em Recife - onde eu estava a trabalho acompanhando repórteres japoneses - se indagaram sobre o porquê de tanto alarde. Era como se, nós brasileiros, víssemos em algum jornal japonês uma matéria do tipo "Brasileiros beijam no rosto como forma de se cumprimentar".

Expliquei, que infelizmente, a cena não fazia parte da realidade do maioria dos brasileiros e, foi então, que eles entenderam porque um ato tão comum para eles deu tanto o que falar. 

A maioria dos brasileiros apontou a "educação do povo japonês" como principal motivação que levou os torcedores a recolher o próprio lixo. Eu, na minha humilde insignificância, diria que não se trata somente de uma questão de educação. Se trata também, claro. Mas não é apenas isso. Por trás disso tudo, tem um sentimento comum à maioria dos japoneses que eu admiro muito que é a consideração para com os outros.

Recolher o lixo não é só uma questão de higiene. Tampouco se trata apenas de cuidar do que é seu ou limpar o que você mesmo sujou. Também! Mas acho que. para os japoneses, recolher o lixo é acima de tudo um ato de pensar nas outras pessoas que farão uso daquele mesmo local. É cuidar de um bem comum. Como o famoso dito "não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você" nos ensina, ninguém gostaria de chegar no cinema, por exemplo, e pisar em pipocas caídas no chão e não ter condições de deixar o copo cheio de refrigerante porque já há um copo vazio onde deveria estar sem nada para você colocar o seu.

Aí vem um brasileiro e diz: "Mas tem a moça da limpeza" - que deve ser o mesmo que diz que joga lixo no chão na rua para dar emprego ao lixeiro. E se pensássemos nestas pessoas também? Pensar como seria ter de limpar uma sala inteira com tapete forrado com pipocas e copos vazios por todo lado e, de repente, quando acaba a sessão e acendem-se as luzes, tchan tchan, tudo limpinho! É só passar uma feiticeirinha rápida no chão. Não seria legal?

Sobre a moça da limpeza e os lixeiros, não creio realmente que perderão seus empregos se o povo tiver mais educação E consideração com eles e com os outros. "Os japoneses" não pensam como "nós brasileiros" (generalizando japoneses e brasileiros). Não é que não existam estes profissionais. Eles existem. Mas como limpar o bem comum é ensinado desde os primeiros anos escolares no Japão, quando nas escolas os próprios alunos fazem a limpeza das salas, corredores e inclusive dos banheiros, para os japoneses isso já faz parte, está no DNA deles.

Lembro de vários pique-niques no Japão em que por todo lado havia grupos de pessoas bebendo e comendo como nós e quando acabava a festa, assim como o nosso grupo, todos saíam dali com um saquinho de supermercado na mão com parte do lixo do grupo e o local era deixado sem vestígio algum de farra ou comida. No Japão é assim, em pique-niques, em churrascadas, em " hanami" (pique-nique debaixo das cerejeiras) etc.

Quer um exemplo mais recente? Copa das Confederações. Ano passado tive o privilégio de trabalhar como intérprete da seleção japonesa e acampanhá-los nos voos, nos hoteis, nos estádios e até no vestiário. Eu era o único não-japonês autorizado a entrar no vestiário dos "samurais blue". Eis que quando todos já haviam deixado o vestiário e se dirigido para o ônibus, eu, como o último a sair, autorizei os voluntários a entrarem e fui embora. Ainda no corredor, um voluntário me chama da porta do vestiário e espantado me pergunta: "Vem cá. Eles usaram mesmo o vestiário?". Quando respondi que sim, já sabendo o que eles estaria pensando, ele comprovou: "Cara! Os caras são muito organizados! Tá tudo limpo!!!". 

Na partida seguinte, o estádio era outro, os voluntários também. Mas o espanto, aliado à indignação com as outras equipes, foi o mesmo. "Foi daqui que você e a seleção japonesa saíram?", me perguntou rindo um voluntário. E completou: "Cara! Você tem que ver como os outros deixam o vestiário! Uma zona!".

Na outra partida, bom, vou resumir a história só com o comentário do voluntário do dia: "pô, os outros times deveriam aprender com os japoneses como deixar um vestiário arrumado e limpo! Quero ser responsável do vestiário japonês sempre!".

É isso. É o que eu sempre digo. Não dá para dizer qual é melhor que outro. Mas se for para comprara, que seja definido um quesito. Amizade. Segurança. Calor Humano. E se o quesito for Respeito ao Próximo, me desculpe meu povo, mas o Japão - neste quesito - sai líder do grupo. 

15/06/2014

WAKU WAKU JAPANESE - LIÇÃO 12

A professora gatinha nos ensina hoje algumas palavras úteis em japonês!




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COMERCIALJAPONÊS: DIALETO DE OSAKA

KANSAI BEN・関西弁. É como é conhecido o japonês que é falado na região de Kansai, que engloba, Osaka, Nara, Quioto, Wakayama, Nara, Mie e Shiga, e é justamente por isso que resolvi trazer este comercial da NITENDO falando em "kansaiben". Maneiríssimo! Para quem estuda japonês, repare por exemplo que um deles em lugar de dizer どこだ?・DOKO DA?・ONDE? , ele diz どこや?・DOKO YA?・ONDE?. O japonês que se aprende fora do Japão é o japonês chamado 標準語・HYOUJUNGO, ou seja, o que eles chamam de "Japonês Padrão" o qual é ensinado em todas as escolas do Japão.



REGIÃO DE KANSAI・関西地方


MARCAS JAPONESAS EM JAPONÊS

A gente tem visto aqui no blog como marcas mundialmente conhecidas são chamadas e identificadas no Japão. E que tal vermos agora como marcas japonesas são conhecidas no Japão? Como irão observar, apesar de terem ideogramas para suas respectivas marcas, o logo da maioria das empresas japonesas parece preferir letras romanizadas, o que, na minha santa ignorância em matéria de marketing e design, pode ser uma forma de globalizar e alcançar uma parcela maior de consumidores. Enfim, vejam como em japonês se escreve o nome das principais marcas do Japão! Junto com os logos e a escrita em japonês, você poderá ter uma pequena amostra do comercial veiculado no Japão. Recomendo o da HITACHI que mostra o ar condicionado e aquecedor que detecta a presença de pessoas e direciona o ar para a direção onde a pessoa está! Vale a pena também assistir ao das pilhas recarregáveis da SANYO e prestar a atenção como a marca é falada em japonês - diferente da que a maioria das pessoas conhecem. Divirtam-se!




公文
KUMON



本田
HONDA


 
 三菱
MITSUBISHI





楽天
RAKUTEN





任天堂
NINTENDO




日立
HITACHI






日産
NISSAN




三洋
SANYO



Acho interessante a UNIQLO (lê-se "unikurô") , loja de roupas presente em vários países da Ásia e Europa - em breve no Brasil - que optou por duas versões de logo: uma, que segue a tendência da maioria das marcas e usa letras romanizadas e uma outra em japonês. O mais maneiro é que muitas vezes, as duas, aparecem juntas!