22/12/2008

A palavra é : Faxina Geral !

Faxina Geral. Parece que aqui só se faz no final de ano. Isso porque é nessa época que a gente mais ouve falar no tal do 大掃除・oosouji. Até meus conterrâneos dizem frases do tipo: “Ih! Tenho que fazer oosouji agora”, “Amanhã é dia de oosouji”, “Nossa ainda nem fiz oosouji lá em casa!” e por aí vai. (Quase) Ninguém fala “faxina geral” ou “limpeza completa” e parece até que é só no final do ano que as pessoas têm ânimo e vontade de se reunir para "limpar tudo de cabo a rabo" - está aí um outra opção de tradução da palavra!

As revistas trazem especial de Faxina Geral! Os catálogos e encartes de supermercado trazem listas completas de artigos de limpeza! Dia desses vi na internet, dicas de como fazer faxina geral em casa. Primeiro pensei: por que essse tipo de matéria tem que sair só no final do ano? Bom, mas era interessante porque dizia justamente o que minha mãe sempre fazia na minha casa. Detalhe: durante o ano inteiro! Quando era dia de faxina geral, ela limpava a cozinha, meu irmão limpava os banheiros, eu arrumava os quartos e por aí vai. A "fabulosa" dica do site para esta faxina de final de ano era dividir a faxina entre os membros da casa.

Claro que tem gente que limpa tudo, geral mesmo, em qualquer época do ano. Mas é engraçado como uma faxina geral pode fazer parte dos costumes de final de ano!! Aliás, por isso alguns dizem 年末大掃除・nenmatsu oosouji, isto é, "faxina geral de final de ano".


Mas Muito Japão mesmo é botar os próprios funcionários da empresa para limpar a empresa. Lembro que quando eu escrevi algo parecido com isso (não leu? clique aqui), alguém comentou que também limpava a empresa no Brasil. Bom, mas de qualquer modo, não é algo predominante no Brasil, ainda (?) e sinceramente, para algumas pessoas, fazer o serviço do "servente" de uma hora para outra, não é lá uma tarefa fácil! Se ainda fosse uma pequena ou média empresa, com poucos funcionários e ainda atrás de cobrir os investimentos feitos, eu até entendo. Mas ver uma empresa com o próprio prédio de 10 andares e mais de 200 funcionários colocar todo mundo para fazer a faxina da empresa, ainda me soa Muito Japão!! Foi assim na semana passada. Desde o início da semana recebíamos email do RH dizendo que até tal dia deveríamos limpar tudo, ou como diz o pessoal costuma dizer por aqui: "fazer o oosouji"! Não sei se foi coincidência ou a cultura brasileira que falou mais alto, mas acabou que ficou tudo para o último dia do prazo marcado.

Foi de repente. Até umas 15,16h, todo mundo parecia estar esquecendo do quadro "Servente por 1 DIA!". Mas do nada. De repente. Eu vejo todo mundo se levantar e...mãos à obra!! Em menos de 10 minutos, parecia que os funcionários todos haviam ido embora e no lugar, havia chegado a equipe da limpeza! Era um com pano esfregando o armário, outro tirando as caixas que nunca ninguém mexeu em cima do outro armário, outro passava aspirador no chão, outro rasgava papéis, outro recolhia as revistas velhas de todo mundo e dava para outro colega amarrar que dava para outro levar na lixeira do prédio.

Quem chegava de repente no andar, ficava pasmo. Todo mundo em pé esfregando, espremendo pano, aspirando, rasgando, limpando alguma coisa! Eu limpei minha mesa, tirei tudo, passei pano, limpei os fios do computador, aspirei o chão, ajudei - moralmente - dois colegas a limpar o triturador de papéis do andar, levei lixo do andar inteiro na lixeira com outro colega entre "otras cositas más". Me senti a própria formiguinha vestida de cor de abóbora - para quem não conhece, abóbora é a cor do uniforme dos garis no RJ!


Sinceramente. Nada contra gari. Acho que são gente digna e trabalhadora. Nada contra limpar. Eu sempre gostei de arrumar meu quarto todo antes de estudar. É chato? É! Mas sabe que no fundo, no fundo é divertido?! Enquanto a gente limpa, a gente se distrai, conversa, levanta e faz algo diferente. Confesso que no fundo, lá no fundo mesmo, ainda tenho saudades da "tia da limpeza", mas já me acostumei. Para ser ainda mais sincero, acho até que parte do dinheiro poupado com contratação de uma empresa de limpeza poderia muito bem ser adicionada no salário de todo mundo. As empresas de limpeza - sim existem - fazem propaganda, claro, loucamente com o tema 大掃除・oosouji. "Fazemos limpeza geral na sua casa ou na sua empresa", diz a mensagem de uma delas. Mas claro, se você fosse empresário, qual você escolheria: pagar por uma empresa especializada, que cobra por metro quadrado e tempo de trabalho ou não gastar nada e simplesmente botar seu subordinados para limpar tudo?


Bom, mas no final, todo mundo fica feliz e tudo nos trinques, um brinco!! Durante um bom tempo, ninguém mais na empresa vai usar a palavra "oosouji". Pelo menos até o final de 2009! Mas fora da empresa, vira e mexe, a gente ainda ouve. Até as empresas de material de limpeza ficam assanhadas e fazem altas propagandas nessa época em que o pessoal se toca de que tem que limpar as coisas. Mas, todo santo final de ano, quando todos começam a falar "oosouji" aqui, "oosouji" ali, eu fico me perguntando: precisa esperar o final do ano chegar para fazer limpeza geral, faxina geral, limpeza de cabo a rabo...o que for!? Enfim.



Palavra do Dia:
掃除機・soujiki・aspirador de pó

Exemplo:
すっごいうるさいこの掃除機
(Que aspirador de pó mais barulhento!)

5 comentários:

  1. ahhaha nem no final do ano eu presto pra souji... qto mais, oosouji rsrs
    mas esse fim de ano, vou fazer, pq to saindo do apato e preciso deixar no minimo igual quando eu entrei neh...
    a toyota soh colocava a gnt pra fazer souji nas linhas, os banheiros tinham as tias da limpesa (gracas a deus). mas o oosouji era toda vez q vinha visita importante, fim de ano e dia de fechamento... ou seja... um oosouji pelo menos a cada 2 meses...

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  2. Olha que coincidência ontem foi a faxina geral aqui de casa. Aqui limpamos tudo o ano inteiro, mas aquela limpeza rígida onde se coloca a melhor toalha de mesa, as capas novas do sofá e o aparelho de jantar comprado no ano anterior, só em final de ano mesmo. De tanto oosouji que fiz ontem estou com os braços doloridos. XDDDD

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  3. Aqui em casa precisa de oosouji todo dia porque tem muita coisa entulhada e sempre que limpo parece que nada fiz, ainda mais que ninguém gosta de ajudar. Certo fim de ano eu limpei a cozinha e a área de serviço e só terminei à noite e não parei nem para comer, ficou um brinco, mas pergunta se alguém ajudou? Só se for para sujar. A “fabulosa” dica não funciona aqui em casa.
    Bem, mas deixando o meu depoimento de oosouji de lado me diga uma coisa: vocês passam o ano inteiro na sujeira e só no final do ano limpam tudo?E a poeirada, e as teias de aranha, e os farelos? e os banheiros?Como é que ficam esses banheiro?!...Aliás, acho que você correu para limpar seu cantinho e ajudar os outros para não acabar lá, no odiado banheiro, não foi não, confessa? Falando no danado do dinheiro, quem faz faxina no odiado banheiro merece um adicional de periculosidade, se não acha não?Seu irmão deve achar que sim.
    Bem,acho que já escrevi demais.
    Tudo de Bom.Tchauzinho!

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  4. É, eu ainda não tinha lido o post antigo sobre esse assunto de limpeza, vocês realmente merecem um adicional. Por falar em alunos limpando a escola, eu como professora apoio totalmente porque já cansei de ver os próprios alunos depredando a escola e nada lhes acontece. Quem sabe os alunos tendo que fazer esse serviço não passariam a dar mais valor ao local como ao trabalho do pessoal de apoio. Nem todos podem gostar, mas o benefício é geral.E aqui, com certeza ia ter pais reclamando que fazer a limpeza da escola não é função do aluno e ainda iam achar humilhante.

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  5. Olá, muito interessante este artigo sobre limpeza, mesmo nos ambientes de grandes corporações. Isso me fez lembrar um executivo europeu a quem acompanhei numa visita a uma empresa japonesa, nos tempos em que o cigarro ainda era fumado em todas as repartições. Ao jogar sua bituca num canto do estacionamento, o diretor japonês que o ciceroneava pela fábrica agachou-se com discrição para recuperar a bituca. Caminhou todo o percurso com a bituca na mão até encontrar um cinzeiro, onde pousou o lixo do visitante. Desconcertado, o executivo nunca mais se atreveu a subestimar o interlocutor japonês, nem confundir a reverência por subserviência nos encontros sucessivos.

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