27/07/2013

COMO É O BANCO NO JAPÃO?


Entrar em um banco no Japão pode não estar nos planos de um turista estrangeiro. A menos que ele necessite fazer algum câmbio. Mas quem entrar em um banco japonês, logo perceberá que não está simplesmente em uma instituição financeira qualquer. O cliente, principalmente se for brasileiro, logo vai notar algumas pequenas, porém significativas diferenças. Eu aqui vou tentar ressaltar algumas e ainda assim mesmo do banco que eu costumo ir, mas claro que há diferenças de banco para banco.

Logo de cara, quando se entra no banco, normalmente um nipo-vovôzinho vestido de segurança, com o cinto quase enforcando e as bainhas pescando, lhe recebe gentilmente com um “irasshaimase” que pode ser traduzido como um caloroso “seja bem-vindo”. Logo depois uma nipo-senhora enxutona, de tailler, lhe recebe com um sorriso e lhe pergunta em que ela poderia te ajudar. Tão logo você diz que quer depositar dinheiro ou fazer uma transferência, ela imediatamente retira a senha da máquina e lhe entrega nas mãos. Ninguém fica desamparado ou gasta meia hora diante da máquina de senha para saber que setor você deve ir ou que senha você deve retirar. A funcionária lhe ajuda, ela mesma retira a senha e te entrega nas mãos. Se seu número for o próximo, ela já dá um sorrisinho e a diga: “O do senhor já é o próximo”.

Quando os caixas eletrônicos estão desocupados, ela também sugere que você os utilize, se não quiser esperar e , claro, se você opta por utilizar o caixa eletrônico, ela o acompanha até a máquina do caixa e te dá todas as coordenadas. Lembro que ela ia me dizendo, “agora o senhor aperta aqui”, "agora aqui", mas ela que apertava. Também achava o máximo quando chegava a tela da senha e imediatamente, ela se virava de costas para a tela e para mim.

Me impressionei também com os caixas e demais funcionários do banco. Todos de uniforme! Isso mesmo. As mulheres com lencinho no pescoço e tudo e, os homens, todos de terno e gravata com as cores do banco!

Há tantos outros detalhes que acho que em um post só não vai dar. Tem a famosa bandejinha do dinheiro que fica nos caixas, para o funcionário do caixa colocar o dinheiro ali e não entregar as nota diretamente na sua mão. Aliás, quando chega a sua vez e você se aproxima do balcão do caixa, a funcionária se levanta, se curva para lhe cumprimentar e logo de cara já coloca a bandejinha do dinheiro no balcão. Neste caso, é para você colocar ali qualquer coisa que você queira entregar a ela. Por exemplo, se você quer depositar um dinheiro e quer que ela atualize o extrato na sua caderneta do banco, você coloca na bandejinha, a caderneta e o dinheiro. Pronto, ela vai recolher a bandejinha e começar a fazer o que deve fazer. O interessante é que se você vai retirar dinheiro ou fazer algum câmbio, ao invés de ela contar o dinheiro e colocar no balcão direto para você pegar ou ao invés de ela entregar diretamente para você em mãos, ela coloca o dinheiro na bandejinha e só depois coloca a bandejinha com o dinheiro diante de você para que você mesmo pegue o dinheiro da bandejinha. Detalhe: me amarrava na disposição do dinheiro na bandejinha, em leque!! Isso mesmo! Muitos caixas fazem isso! Abrem as notas em leque e as colocam na bandejinha para entregar o dinheiro aos clientes! 

Sempre admirei também o fato de disponibilizarem pequenos pedaços de papel com o logo do banco, única e exclusivamente para limpar a tinta do carimbo que você acabou de utilizar. Explico: para quem não sabe, no Japão é mais comum as pessoas “assinarem” com um carimbo pessoal – chamado de inkan, em japonês: 印鑑 - do que assinar, assinar mesmo, escrevendo, como nós brasileiros fazemos. Por isso, quando há um campo para assinatura, a funcionária do banco pede para você carimbar. Você pega o seu carimbo, o encosta em uma almofadinha molhada com tinta vermelha – chamada de “shuniku”, em japonês: 朱肉- e carimba. Em seguida a funcionária te dá uma caixinha, pequena como uma caixinha de fósforo, para você retirar um papelzinho e limpar o seu carimbo antes de guardá-lo no estojo. Vale lembrar que alguns tipos de carimbos pessoais, já vêm com tinta. São como os carimbos que usam os médicos no Brasil.

Outra coisa que me chamou a atenção nos bancos japoneses foram os óculos de grau, isso mesmo, óculos de grau que ficam disponíveis normalmente nos balcões de preenchimento de formulários. São vários óculos, de diversos graus, em geral, forte, fraco e intermediário, como na foto ao lado,  e que ficam ao lado dos diversos formulários para os idosos que não enxergam o que eles estão lendo ou estão tendo que preencher utilizarem enquanto estão no balcão e depois devolverem. Há várias destas caixinhas pelo balcão. Óculos como estes são conhecidos como “roogankyo”, em japonês: 老眼鏡

Educação, com certeza, é uma coisa que chama a atenção, mais do que qualquer outra coisa. Não é o lugar perfeito, claro, há filas, trâmites, procedimentos que você muitas vezes não entende, isso quando não te obrigam a preencher todo um formulário quando você cortou o número sete, mas com certeza, são coisas que se tornam insignificantes quando você é tratado com sorriso e educação em um banco. 

4 comentários:

  1. Muito interessante este sistema será que funcionaria isso no Brasil de fato? Eu acho que não mas obrigado mais uma vez por sempre postar algo interessante e que enriqueça nossa cultura um abraços



    ResponderExcluir
  2. O melhor de todos é a do carimbo que substitui a assinatura. Espero um dia conhecer pessoalmente essas tradições e costumes. Forte abraço, meu querido.

    ResponderExcluir
  3. Minha impressão dos bancos japoneses é que são, na maioria, mais 'caseiros' ou, menos sofisticados talvez. Precisei trocar cheques de viagem (depois descobri que poderia ter feito no hotel) e perdi quase uma hora para ser atendido, pois ninguém falava inglês lá muito bem.
    Repartição pública no Japão, me parece um pouco antiquada, e quase todo mundo tem mais de 50 anos, o que é bastante estranho. É claro que a relação com o banco é diferente da nossa, pois os japoneses não passaram pelos apuros econômicos dos brasileiros, nos últimos anos. Nossa relação com bancos é mais próxima, mais íntima. Somos usuários frequentes, diferente do que ocorre no Japão, me parece.

    ResponderExcluir
  4. Olha, quando eu acho que não poderia mais me surpreender sobre a educação japonesa, leio essa matéria e me engano. É de se espantar com a cordialidade dos japoneses para com seus clientes. Nenhum país é perfeito, mas o Japão chega muito perto de ser.

    ResponderExcluir