29/06/2010

Contribuição de brasileiro à Previdência valerá no Brasil

Não gosto muito de reproduzir notícias, pura e simplesmente por reproduzir. Mas depois de longos e eternos 6 anos de trabalho árduo e sabendo do impacto que a notícia causará na vida dos brasileiros que como eu vivem no Japão, aliado à bela reportagem feita pelo jornalista brasileiro Ewerthon Tobace, resolvi publicar na íntegra a matéria publicada no site da BBC BRASIL.



O Brasil e o Japão fecharam um acordo na área da Previdência Social que vai permitir que imigrantes usem tempo de serviço no exterior para o cálculo da aposentadoria nos dois países.

O acordo deve contemplar os cerca de 250 mil trabalhadores brasileiros que vivem no Japão e os 90 mil japoneses que trabalham no Brasil. O pagamento será proporcional ao tempo de serviço prestado e às contribuições pagas em cada país.

O acordo fechado entre os dois governos levou quase seis anos para ser finalizado e deve ser assinado no final de julho, afirmou nesta segunda-feira Mariângela Rebuá de Andrade Simões, diretora-geral do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, do Ministério das Relações Exteriores. "Os japoneses são muito detalhistas, por isso o acordo demorou a sair", comentou a chefe do Setor de Comunidades da Embaixada do Brasil em Tóquio, Patrícia Cortes. Depois de assinado pelos ministros da Previdência, o texto precisa ser ratificado pelo Legislativo dos dois países. O acordo, que só deve entrar em vigor em janeiro de 2011, também vale para pedidos de pensão por morte. "Essa era uma antiga reivindicação da comunidade brasileira que vive no país", lembra Mariângela.

Tempo mínimo

Marly Higashi, 53 anos, por exemplo, é uma que será beneficiada. Ela está há 16 anos no Japão e há seis contribui com a Previdência local. "Na verdade, comecei a pagar porque temia sofrer algum tipo de acidente e ficar inválida, sem direito a nenhum benefício", conta. Somado ao tempo que contribuiu no Brasil, ela estará próxima do tempo mínimo para se aposentar no Japão.

No Brasil, o período mínimo de contribuição é de 35 anos (30 anos para mulheres). No Japão, são pelo menos 25 anos. Mas os maiores benefícios são pagos àqueles que contribuem mais de 40 anos. Mas assim como a maioria dos brasileiros que vivem no arquipélago, por um bom tempo Marly se recusou a pagar o plano previdenciário por achar "que estaria jogando dinheiro fora". "Quando eu voltasse para o Brasil, iria receber só uma pequena parte de volta", justifica.

No Japão, em função da legislação local, é possível pedir reembolso de uma pequena parte das contribuições pessoais feitas ao sistema previdenciário local ao deixar definitivamente o país. Porém, com o acordo entre os dois países, a aposentadoria só será possível se os trabalhadores não resgatarem este valor ao deixar o Japão. Ao pedir o reembolso, o contribuinte perde automaticamente os direitos previdenciários a partir do saque.

Com a assinatura do acordo, a expectativa é de que a grande maioria dos cerca de 250 mil brasileiros que vivem atualmente no Japão se inscrevam no sistema de Previdência local. Os trabalhadores brasileiros e japoneses transferidos por suas empresas por um período máximo de cinco anos também poderão continuar a contribuir com a Previdência do seu país, evitando assim a bitributação.

O Brasil já possui acordos previdenciários com dez países (Argentina, Cabo Verde, Espanha, Grécia, Chile, Itália, Luxemburgo, Paraguai, Uruguai e Portugal). Em fevereiro, fechou mais um, com os Estados Unidos. Já o Japão possui acordos nesta área com a Alemanha, a Inglaterra, os EUA, a Bélgica, a França, o Canadá e a Coreia do Sul.


Festa

Para ratificar o acordo, o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, deve ir ao Japão no final de julho. A assinatura deve fazer parte das comemorações que o governo brasileiro está organizando para celebrar os 20 anos do início do êxodo de dekasseguis para o Japão. Em 1990, o Japão promulgou a nova Lei de Controle de Entradas e Saídas do país, permitindo assim a entrada de filhos, netos e cônjuges de japoneses com visto de trabalho. Foi o início "oficial" do movimento dekassegui, que no auge, em 2008, chegou a contabilizar 320 mil brasileiros residindo no país.


Além da possível assinatura do acordo, será realizado um seminário sobre as duas décadas da imigração brasileira no Japão, no dia 30 de julho em Tóquio, e uma festa popular em Nagoya, no dia 1º de agosto. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já confirmou presença na festa. Ele vai inaugurar o projeto-piloto da Casa do Trabalhador Brasileiro, na cidade de Hamamatsu, no dia 31 de julho. "Lá, os brasileiros poderão esclarecer dúvidas sobre direitos e deveres trabalhistas no Japão e no Brasil e terão acesso a programas de capacitação profissional", exemplificou Paulo Sérgio de Almeida, presidente do Conselho Nacional de Imigração (CNg).

Asahi Blue

Me chamou a atenção hoje o fato de, apesar ser o dia do jogo do Japão - valendo uma posição entre os oito melhores do mundo - o que para o Japão já está de bom tamanho - , durante todo o dia de hoje, tanto na ida ao trabalho, quanto na volta, incluindo a hora do almoço, eu só vi uma pessoa com a camisa da seleção japonesa! UMA única pessoa! Detalhe: .....................gringo!

É verdade que no dia em que eu assisti ao jogo em Roppongi, havia bastante gente pelas ruas, japoneses e estrangeiros. Mas isso foi à noite, e em um bairro onde a night ferve entre os jovens, japoneses e estrangeiros. Mas na cidade mesmo, em plena capital do Japão, em plena luz do dia, em pleno dia de jogo, nenhum Samurai Blue para contar história!

O mais interessante foi quando acessei o site do Asahi, um dos principais jornais do Japão. Como faço todos os dias, acessei o site e de repente, a surpresa! Onde deveria estar um fundo branco, estava tudo azul !! Azul, no melhor estilo Samurai Blue!!!!!!! Vejam!



Sem falar nas mensagens de apoio...



進めニッポン!
歴史をぬりかえろう!

susume nippon !
rekishi wo nurikaerou!

Pra frente Japão !
Vamos mudar a história!



不可能なんて、ありえない。
fukanou nante, arienai.
Essa de impossível, não existe.


28/06/2010

Polícia japonesa recruta intérprete de português


Até o dia 29 deste mês, a polícia de Ibaraki está recrutando japoneses que dominam a língua portuguesa para trabalhar como tradutor-intérprete. Isso mesmo! O canditado deve possuir a nacionalidade japonesa e será contratado como policial para atuar como intéprete e tradutor na polícia de Ibaraki. Para japoneses pode ser interessante, principalmente para quem estudou português, mas como brasileiro, ver a polícia procurando japoneses que falam português, pode significar um mal sinal.

Mas para quem não sabe a relação entre português, brasileiros e a polícia japonesa, não é recente. Eu não tenho dados concretos, mas os brasileiros estão entre os grupos de estrangeiros com maior população carcereira. Muitas prisões fazem assinatura do jornal brasileiro publicado em português aqui no Japão. 

Eu mesmo já tive a oportunidade de fazer um bico na polícia como nativo de língua portuguesa. Os policiais japoneses que estavam estudando português, estavam passando por uma bateria de testes de conclusão de curso e eu entrava na história com o "teste final com nativo"! Foi um experiência interessantíssima! Meu trabalho era fazer perguntas a cada polícial que entrava na sala e conversar com cada um deles sobre diversos temas. Sempre com relação ao Brasil e a brasileiros.

Nem todos tinham desenvoltura e fluência o suficiente para trabalhar como intérprete, mas todos demostraram grande interesse pelo Brasil e pela língua portuguesa. A grande maioria também nunca havia estado no Brasil, mas tinha vontade. Foi realmente interessante saber que policiais aprendem português e com tanto interesse e afinco.

Além disso, vira e mexe eu vejo anúncio de polícia de diversas províncias do Japão, buscando intérpretes. Eu até me candidatei uma vez a uma vaga para tradutor de cartas. Infelizmente, eles queriam alguém que fosse trabalhar pessoalmente todos os dias e, como eu morava em uma província distante, não consegui nada. Já ouvi falar que é um trabalho meio deprimente. Traduzir cartas de compatriotas que muitas vezes clamam por auxílio, reivindicam alguma coisa ou mesmo tramam planos. Até pode ser ruim entregar um brasileiro, mas no fundo não vejo problema em cooperar com a ordem pública julgar alguém que tenha infrigido a lei e principalmente se esse alguém estiver prejudicando a imagem de nós brasileiros aqui no Japão que trabalhamos descentemente e dignamente. E ao mesmo tempo, o fato de ter um intérprete brasileiro ou japonês que fale bem português, pode facilitar a comunicação entre japoneses e brasileiros e com isso desfazer de mal-entendidos e na melhor das hipóteses, servir de porta-voz do que os brasileiros têm a reivindicar. Tudo bem que isso não deve acontecer lá com muita frequência, mas quantos e quantos brasileiros já não se irritaram com algum japonês no dia-a-dia e não puderam se defender ou responder à altura por não dominar o idioma? Lembro até de uma frase célebre de Karina Almeida, que me dizia sempre: "Ah se eu falasse japonês!!!!"(....geralmente bufando pelo nariz!) 


Aliás, essa relação entre brasileiros residentes no Japão e polícia japonesa é tão estreita que existe até um Dicionário Português (do Brasil)-Japonês de Termos Policiais!!!




VOCABULÁRIO・ボキャブラリー

警察・keisatsu・polícia
通訳・tsuuyaku・intérprete
同時通訳・douji tsuuyaku・tradução simultânea
翻訳・honyaku・tradução
翻訳版・honyakuban・versão traduzida
翻訳する・honyaku suru・traduzir, fazer tradução
ポルトガル語・porutogarugo・língua portuguesa
警察用語・keisatsu yougo・termos policiais



Informações sobre a seleção para policial intérprete, clique AQUI.



27/06/2010

Qdo começa a Copa do Mundo?

Bom, em primeiro lugar gostaria de comunicar aos caros leitores de que finalmente estão transmitindo os jogos do Brasil (tbm!) na televisão aberta! Já era tempo! Mas no primeiro jogo que transmitiram, Brasil x Costa do Marfim, aqui passou às 3h30 da madruga e eu não consegui acordar. Aliás, minto, acordei mais vi os 20 primeiros minutos da partida e depois não lembro de mais nada. Isso porque no dia anterior eu havia chegado de Gunma e cheguei em casa pra lá de meia noite. Além disso, no dia seguinte teria que ir trabalhar. Juntando isso tudo, não adiantou de nada transmitirem o jogo...rs... pq eu simplesmente capotei. Mas já fiquei satisfeito em saber que passou na tevê.


Mas no último jogo, Brasil x Portugal é que foi pior. Tudo bem que transmitiram o jogo e para ajudar mais ainda, o horário do jogo foi maneiro, 23h. Nesse dia, fui assistir ao jogo na casa de um casal amigo meu. Ele brasuca, carioca da gema como eu e a esposa, japonesa, mas tão carioca qto. Eles ainda chamaram umas amigas japonesas que estudaram português na faculdade e eu fui com uma japonesa colega de trabalho. Animação total!! As japonesas estavam com roupas do Brasil e acessórios verde e amarelo! Nossa festa começou bem antes do jogo - e diga-se de passagem continuou bem depois do jogo! Aliás, nossa farra deu de 1000 x 0 na partida em si. O bom mesmo foi assistir à partida normalmente, como brasileiro, torcendo, vibrando, tremendo nas bases, gritando palavrão, comentando os lances em português claro....foi muito maneiro!

Uma das japonesas até perguntou: "como que vcs falam pro time andar pra frente?" E nós dissemos: "Vai po##a!!!". Qdo eu achei que ela iria se dar por satisfeita, ela nos pergunta: "por que po##a?", todos caem na gargalhada. Mas foi assim, em clima de descontração total que passamos a noite - e a madrugada- toda. Depois ainda chegou um casal amigo de brasileiros e o cara, ex-barman, mandou ver na caipirinha!! Além de ter trazido garrafas e garrafas da nova Smirnoff com Guaraná!!!

O jogo terminou no 0 x 0, mas a gente não tava nem aí! Parecia até que o Brasil tinha ganhado...rs. Só o ruim é que eu me toquei que até agora, não gritei GOL uma só vez!!! Gritar que eu digo é gritar mesmo, pular e comemorar descentemente!  Isso porque um jogo eu assisti em casa, sozinho, pela internet às 3h da madrugada e só comemorei gol da maneira mais discreta possível !!! Com todo respeito, me senti o próprio deficiente auditivo comemorando gol!!! De madrugada, sozinho e no Japão, vc quer o que também né?!Depois, o outro jogo eu dormi e não consegui ver mais nada. Agora que eu consegui ver e estava com o circo todo armado para torcer, vibrar e comemorar abraçando e gritando, como se estivesse no Brasil....... os caras não fazem nenhum gol!!! Nem umzinho...enfim....

...o próximo jogo contra o Chile deve passar na tevê tbm!. Mas às 3h da madruga. Fala sério! Assim fica difícil torcer!! Mas "vamu que vamu"...Brasil-sil-sil (baixinho que é pra não acordar os vizinhos).


23/06/2010

GENTE MUITO JAPÃO 4

Uma é de Minas Gerais. A outra, de Pernambuco. O que elas têm em comum? Além de blogueiras, elas são duas jornalistas brasileiras, não descendente de japoneses, e viveram no Japão. Atualmente estão de novo, atuando em suas áreas, no Brasil! Nesta versão em dose dupla, vocês irão conhecer um pouco mais sobre Karina Almeida e Bruna Siqueira. Quem são elas? Como vieram parar no Japão? O que fizeram por aqui? Será que gostaram ou não? Tudo isso e muito mais vocês lerão agora em mais uma entrevista para o GENTE MUITO JAPÃO!



Nesta primeira parte, vamos conhecer a Karina, a mineirinha, animadíssima, fã número 1 do Japão, do jogador Miyamoto e da Hello Kitty! Karina contou porquê resolveu voltar ao Brasil apesar de gostar tanto daqui. Ela falou tbm das suas aventuras por terras nipônicas e pelos países que visitou enqto morou aqui. Bom, não vou falar muito, até porque a entrevista é longa! Mas vale a pena! Você irão conhecer uma figura que além de muito sincera, transparente e muito alto astral, é extremamente profissional em tudo que faz! Com vocês, Karina Almeida!


1. Nome completo e idade.

Karina Almeida, 33 anos





2. Como veio parar no Japão?

Adivinha? Eu namorava um brasileiro descendente de japoneses, aqui em Belo Horizonte e depois de dois anos de namoro, ele quis ir para o Japão. Eu dei a maior força e avisei que o esperaria 1 ano. Nem 1 dia a mais! Mas logo depois de chegar lá, ele começou a tentar me convencer a ir também. Eu não queria ser dependente dele, nem ficar sem trabalhar, mas quando soube que havia jornais em português no Japão, vi que eu teria o que fazer lá. Antes de mandar um currículo que não chamasse atenção (afinal, eu não tinha nenhuma ligação com o Japão, nem com a cultura japonesa), me matriculei numa escola de japonês e me ofereci como repórter freelancer ao Jornal Nippo-Brasil, de São Paulo. Eu escrevia sobre a comunidade nippo-brasileira de Minas Gerais. Já com um currículo mais interessante, entrei em contato com a editora-chefe do Jornal International Press (publicação em português no Japão). Disse que eu era jornalista e queria me candidatar a uma vaga lá. No mesmo dia, ela respondeu: estamos selecionando currículos, mande o seu. Seis meses depois, eu desembarquei de mala e cuia em Tóquio. O contrato era de 1 ano, renovável por mais 1. Mas eu fiiquei 4 anos neste jornal e mais 2 anos na revista Alternativa (outra publicação para brasileiros). Detalhe: o namoro acabou três meses depois de eu chegar ao Japão.



3. Quanto tempo morou aqui?

Ops, respondi antes da hora. Morei seis anos no Japão: quatro anos em Tóquio - com temporadas bem curtas em Nagoia (Aichi), Hamamatsu (Shizuoka) e Ota (Gunma) - e dois anos em Ota (Gunma).



Karina de yukata, no Festival Tanabata de Tatebayashi (Gunma)


4. Nesse tempo, voltou ao Brasil qtas vezes?

Voltei ao Brasil três vezes: a primeira e a última, de férias. A segunda, como repórter enviada à Reunião Internacional do BID, que foi realizada em Belo Horizonte, em 2006. Foram apenas 4 dias no Brasil, uma loucura! Nos últimos três anos, preferi não vir visitar a família, para ficar com mais saudade - e voltar de vez! - e também para aproveitar as férias em lugares que eu ainda não conhecia.


5. Como foi a primeira impressão do Japão?


Lembro direitinho como foi a minha chegada. O então namorado e o novo colega de trabalho - por acaso, o senhor Caruso, autor deste blog - me esperavam no aeroporto. Pegamos um metrô e, quando entrei, pensei: "meu Deus, só tem gay no Japão!" Claro que eu estava errada, mas achei os homens muito afeminados. Os jovens usam tênis cor-de-rosa, presilha no cabelo, fazem as sobrancelhas e isso foi um choque para mim. Depois, vi que eles eram apenas modernos demais se comparados aos belorizontinhos e que nem todos eram tão exóticos. Até me apaixonei por um (que faz as sobrancelhas, mas não usa tênis cor-de-rosa, nem presilha) e namoramos no último um ano e meio que morei no Japão. Agora, tentamos matar a saudade via Skype :p



6. Há algum mito ou estereótipo em relação ao Japão ou mesmo aos japoneses que você tenha desmistificado?

Sim! Eu ouvia dizer que os japoneses não gostam de estrangeiros, que são preconceituosos. E isso me deixava preocupada, com medo mesmo. Mas, felizmente, não é bem assim. Existem os nacionalistas, mas eu chutaria que eles são a minoria. Me senti muitíssimo bem recebida no Japão e fiz belas amizades. Nas ruas, sempre fui bem tratada e, várias vezes, recebi ajuda sem pedir. Sempre que precisava de uma informação, tinha um japonês simpático e prestativo para me ajudar. Desde a época em que eu me comunicava por mímica! E todas as minhas professoras de japonês e amigos nativos se preocupavam comigo e ofereciam ajuda para qualquer dificuldade que eu tivesse com a língua japonesa ou com a adaptação cultural. Quando conheci a família do gatinho, tive medo de não ser bem recebida, mas, pelo contrário, eles me trataram super bem: com um sukiyaki (prato típico) delicioso e até vinho chileno! Também não acho que os japoneses são frios como o povo diz. Acho que são tímidos, que não têm a habilidade brasileira de se aproximar dos outros, de fazer novas amizades. Mas basta a gente dar o primeiro passo para perceber que eles são super bacanas, animados, divertidos, enfim, normais! Mas é claro que existem japoneses chatos, nerds etc e tal. Brasileiros também, né?




Karina e seu namorado japonês em Kamakura




7. E algum que você tenha comprovado?!

Nossa, não sei. Vale lembrar algumas coisas que não são mito: a pontualidade japonesa e também o fato deles não terem jogo de cintura. Tem de cumprir as regras e ponto final. Dá a impressão de que no Japão não existe exceção.


8. Como foi a adaptação com a comida japonesa daqui?

Eu achava que conhecia a comida japonesa, mas na verdade, eu só comia sushi de atum. De salmão, eu nunca achei bom. Já tinha experimentado takoyaki (sem polvo!) e okonomiyaki. Mas quando cheguei ao Japão, vi que não seria fácil. Sushi no almoço não me sustentava. Uma hora depois, eu já queria almoçar de novo - afinal, sou mineira e comida mineira é pesada! Detestei o tal do misoshiro e tinha ódio porque ele sempre acompanhava as refeições. Eu não podia pedir sem mishoshiro. Ele vinha junto e pronto. Também achava tudo sem sal e, às vezes, até meio doce. Não me esqueço do dia que vi um bife com um molho apetitoso, parecia molho madeira. Quando experimentei, vi que era teriyaki e detestei. Muito doce! Nos primeiros meses, joguei muita comida e dinheiro fora. Eu comprava, experimentava, detestava, jogava fora e ia ao Mc Donalds para saciar minha fome de sal. No primeiro exame médico que eu fiz, seis meses depois de chegar ao Japão, o resultado foi: você não está anêmica por pouco! Tive de dar um jeito de me alimentar melhor. Aos poucos, fui descobrindo outras saídas. Descobri o lamen que, felizmente, era salgado. Depois, passei a frequentar restaurantes chineses e italianos, até ir aprendendo a apreciar a culinária japonesa. O tal misoshiro que eu odiava, hoje eu adoro e até sei fazer! Comi muitos tipos de sushi e sashimi, tonkatsu, sukiyaki, tendon, udon, soba e por aí vai. O melhor de tudo é que aprendi a comer coisas saudáveis. Antes de morar no Japão, eu não comia muita salada. Agora, sinto falta quando não tem ou a salada não é variada. Passei a comer menos gordura, menos sal e menos açúcar. Eu não gostava de chá, agora adoro. E sem açúcar!


9. Chegou a comer algo que jamais imaginou em comer no Brasil?

Sim! Comi um polvo - o mais gostoso da minha vida! - super fresco, que tinha acabado de chegar do mar. Levei para casa e comi sem temperar, nem cozinhar. Apenas passei uma água, mas com cuidado para não tirar o sal do mar. O tempero era esse: o sal do mar! Que delícia! Também comi enguia, um sashimi com o peixe ainda respirando, e inseto frito! O inseto eu detestei.


10. O que mais gostou de comer e o que menos gostou de comer?

Eu amo frutos do mar, mas como moro em Belo Horizonte, não é tão fácil encontrar. Nem barato. No Japão, fiz a festa! Comia camarão, polvo, mexilhão e cia quase todos os dias. E muito peixe também, que eu adoro! Detestava ter de negar chá verde toda hora. Eu detesto até o cheiro, não consigo beber nem um gole, mas é como o cafezinho no Brasil. Todo lugar tem e todo mundo oferece pra gente. Eu queria gostar de chá verde, só para me livrar dessa chateação.


11. Muita gente diz que o povo japonês é frio. Qual a sua opinião sobre isso?

Ops, essa também eu respondi antes da hora!


12. O que fazia no Japão?

Trabalhei 4 anos como repórter e editora do Caderno Comunidade no jornal International Press e 2 anos como repórter e colunista na Revista Alternativa. E fiz alguns trabalhos como freelancer para a BBC Brasil, para a agência Lusa (de Portugal), para a Rádio NHK e tal. E criei o blog Meu Japão que ficou 1 ano no site da Editora Abril, por causa do projeto Abril no Centenário da Imigração Japonesa.





Karina na cobertura do Tokyo Game Show


13. Deu para viajar? Por onde esteve?

Eu viajava muito a trabalho e passeei o máximo que pude. Quando morava em Tóquio, passei 1 mês em Ota (Gunma), 2 meses em Hamamatsu (Shizuoka) e 4 meses em Nagoia (Aichi). Também fui mais de uma vez (ou até várias vezes) para Kanagawa, Saitama, Chiba, Tochigi, Ibaraki, Niigata, Yamanashi, Gunma, Nagano e Gifu. A passeio, conheci Quioto, Okinawa, Hakuba (Nagano), Hitachi (Ibaraki), Hakone (Kanagawa), Kamakura e Enoshima (Kanagawa). E passeei muito em Tóquio, pois é a minha cidade favorita! Também adorava as praias de Chiba e a Tokyo Disney que fica lá. A trabalho viajei também para o exterior: fui para as Filipinas e para a Austrália (no caso da Austrália, metade de férias e metade a trabalho). E a passeio fui para a Tailândia e quando voltei ao Brasil, dei uma paradinha para conhecer Nova York. No Japão, faltou conhecer Hokkaido, Osaka e Kobe, que devem ser lugares lindos e superinteressantes.




Karina, na Austrália, acompanhada de cangurus


14. Uma coisa que adorou no Japão...


Adoro várias coisas no Japão. Acho o país bonito, organizado, limpo, exótico, gosto da mistura de moderno e antigo, da educação do povo (tem gente que enfia o dedo no nariz, bêbado que vomita no trem, mas, geralmente, eles costumam respeitar as regras e o espaço dos outros, falar baixo etc). Adoro, especialmente, a segurança pública! É bom demais andar tranquilamente pelas ruas, mesmo à noite. Também adoro o transporte público, o trem-bala, os pontos turísticos, as cafeterias, os parques, os eventos, os costumes (como o piquenique sob a sombra das cerejeiras) e acho os japoneses charmosos e interessantes!




                                 No topo do Monte Fuji, depois de 9 horas e meia de caminhada


15. Uma coisa que detestou no Japão...

Ter de tirar os sapatos para entrar em alguns restaurantes, ir ao médico e ao dentista e ainda para entrar na casa dos amigos. É higiênico, um costume que eu admiro mas acho muito chato! E até engraçado! Não me esqueço da festa de Natal que passei na casa de um amigo brasileiro. É muito feio ver todo mundo chique e de chinelos ou só de meias! Não há modelito Dolce&Gabbana que resista!


16. É caro viver no Japão?

Teoricamente sim, porém, eu costumo dizer que a vida de pobre lá é uma maravilha. Não fui para ganhar dinheiro e meu salário não era dos melhores, mas vivi muito bem no Japão (apesar de ter morado numa quitinete de menos de 20 m2). Acho que a qualidade de vida é das melhores e não é preciso ser rico para viajar, se divertir e fazer compras. Acho que é caríssimo para turista. Uma pessoa de classe média no Brasil não tem condições de passar férias no Japão, a não ser que faça um esforço tremendo ou tenha a ajuda de um parente que more no Japão (hospedagem grátis faz grande diferença).


17. Cinema, teatro, shows...costumava ir?

Queria ter ido a mais shows. Fui apenas ao da Madonna e ao do Bon Jovi, em Tóquio. Amei! Como repórter, assisti a shows de alguns cantores brasileiros: Sandy e Junior, Carla Visi, Charlie Brown Jr., Cabal... Teatro: serve circo? Fui duas vezes ao Cirque du Soleil. Inesquecível! E ao cinema, fui várias vezes. Eu e o gatinho tínhamos cartão de fidelidade do cinema perto da minha casa e chegamos a ganhar entradas porque acumulamos pontos. Gostava de ver filmes americanos e japoneses. Vi filmes brasileiros também no Festival Cinema Brasileiro em Tóquio. Vi Abril Despedaçado e Olga, com legendas em japonês!



18. Manicure, cabeleireiro, depilação...toda brasileira se queixa sobre isso. O que você tem a dizer?

Até tentei frequentar salão japonês, mas não deu certo. Sempre voltava com o cabelo horrível. Na primeira vez, o cara fez um capacete na minha cabeça! Acho que só dá certo para quem tem cabelos lisos e fáceis e gosta de cortes moderninhos, sei lá. Os meus são mais rebeledes! Hihihi... Depilação japonesa nem tive coragem de arriscar. Encarava 1 hora e meia de trem para chegar ao salão de uma brasileira. As unhas eu só fazia em ocasiões especiais e também com manicure brasileira: meu aniversário, Natal, Reveillon... porque eu achava muito caro. No Brasil, eu faço sempre.

19. Sentiu falta do Brasil? Se sim, do que mais sentia falta?

Sim! Do pãozinho francês, do feijão da minha mãe, da laranja e dos sucos naturais de verdade (suco de caixinha 100% natural não serve!). Ah, também senti muita falta dos salões de beleza e das lojas de lingerie e de calças jeans (não gosto das do Japão).


20. Pode resumir o que é a experiência de viver no Japão?

Para mim, foi fantástica! Aprendi muito, não apenas sobre o Japão, mas também sobre muitos outros países e culturas: China, Coreia, Tailândia, Filipinas, Austrália e até sobre os nossos vizinhos da América do Sul. Não fui para juntar dinheiro, preferi viver ao máximo tudo aquilo que era muito novo para mim. Voltei com uma super bagagem cultural. Conheci muitas coisas, muitos lugares, muitas pessoas. Aprendi demais! Era uma experiência nova e enriquecedora a cada dia.


21. Por que resolveu voltar?

Quem me conhece ou lê meu blog sabe que eu sou apaixonada pelo Japão, mas eu queria voltar para o Brasil para ficar com a minha família em Belo Horizonte. Se eu pudesse, viveria na ponte aérea BH-Tóquio! Hahaha... Eu tinha emprego, moradia, muitos amigos e ainda tenho visto japonês, mas achei que já era hora de voltar. Eu precisava ficar com a minha família, viver novamente no Brasil e estou gostando de recomeçar as coisas por aqui. Talvez, um dia, eu volte para o Japão. Ainda não sei!


22. O que faz no Brasil atualmente?

Estou trabalhando numa agência de comunicação. Fazemos jornais e cia para grandes empresas, como a Vale, Gerdau, Unimed, Pif Paf, Trip (cia aérea) e outras. Mas eu continuo escrevendo a coluna Aprendendo Japonês, para a revista Alternativa, e atualizando o blog Meu Japão, que está hospedado no portal de notícias O Tempo. Também me matriculei numa escola de japonês. Ah! E arranjei uma professora particular de inglês, ja-po-ne-sa! Ela é ótima, já morou nos Estados Unidos e é profissional de verdade! Não fala português. Só japonês e inglês.






23. Pretende voltar ao Japão algum dia?

Sim! Tenho vontade de voltar como estudante ou como turista (se eu ganhar na MegaSena). Para morar definitivamente, eu não sei. Fico preocupada com a minha família, que está toda no Brasil.


24. Teria algum conselho para quem sonha em um dia conhecer o Japão de perto, principalmente para as pessoas sem ascendência japonesa, como você?


Sim: aprenda japonês, mesmo que seja só um pouquinho. E procure conhecer os costumes locais, experimentar a comida, enfim, curta o Japão! Tente fazer amizade com os nativos e passear muito. Acho que assim é mais fácil gostar do país. Não adianta querer viver como se estivesse no Brasil.



É isso aí! Esta foi Karina Almeida, direto do Brasil, mais precisamente, de Beagá (MG)! Esperam que tenham gostado. E a qualquer momento, voltamos com o GENTE MUITO JAPÃO 4 - parte II, com Bruna Siqueira! Aguardem!




19/06/2010

20 de JUNHO! Você sabe o que se comemora hoje no Japão?

OK! Para começar, tente ler o que está escrito na figura abaixo!



Não conseguiu ler?! Olha bem!! Não é simplesmente um monte de gravatas jogadas...é uma palavra! Acho que se tivesse na página de busca você teria matado, mas assim, solto fica difícil né?! É - tentativa de escrever - GOOGLE! Tudo bem, além de não está lá muito claro, sem saber que hoje é dia dos pais no Japão fica ainda mais difícil não é? Sim! É verdade! Hoje, dia 20 de junho é Dia dos Pais!!! Assim como o dia das mães, ninguém, eu não digo, mas devem ser espécie rara os minijaspions qu e beijam os seus pais para desejar feliz dia dos pais e dizer a eles que os amam muito. Mas enfim, aspectos culturais à parte, é mais comum dizer "Obrigado Papai" ou ainda "Obrigado por Tudo"! É assim que se vê escrito em cartões com mensagens ou bolos nas confeitarias. Também é comum por aqui de se ver por aqui - e eu diria que até virou tradição - nos supermercados, desenhos das crianças em homenagem aos seus pais. Tem cada desenho maneirinho! Uns bem com cara de animê! Enfim, parabéns aos pais de todo o mundo! Parabéns para você que acompanha o Muito Japão e é pai também! Um abraço especial!! O meu pai eu, o tenho em meu coração bem guardado, já que ele não vive mais entre nós! Mas gostaria de ser pelo menos a metade do paizão que ele sempre foi para mim! Parabéns a todos os pais que amam seus filhos!


Japão X Holanda: assisti ao jogo em um bar!


Fui ao assisti ao jogo Japão x Holanda em um bar! A princípio, a ideia me pareceu um pouco estranha, no mínimo: pagar 2 mil ienes para ver na tevê um jogo que nem era do Brasil e, rodeado de japoneses, ter de torcer para o Japão!? Bom, torcer para o Japão nem era tanto o problema. O problema sempre fico com o pé atrás quando o assunto é festas de japoneses organizadas por japoneses. Se em um show de pagode os caras conseguem ficar sentados só batendo palminha e em desfile de samba na rua - de Asakusa - contam-se nos dedos os japoneses que se contagiam e mexem, o pescoço que seja, no compasso do samba, ou mesmo abrem um sorrizinho maroto demostrando estar animado... imagina se os caras vão gritar em um bar, na frente de outros clientes???



Felizmente, eu estava enganado! Bom, também não sei se foi o bairro onde eu estava. Em pleno Roppongi, o local onde a night ferve em Tóquio!!! Lá, à noite só dá gringo! Mas desta vez, gringos e japoneses se misturavam pelas ruas, vestidos com a camisa oficial da seleção japonesa. Japinhas gostosinhas, com rabo de cavalo de lado, salto alto, maquiadas até a alma, também vestiam a camisa. A animação era tanta, que tivemos que mudar de local, porque onde eu e meus amigos havíamos combinado de ir estava lotado! Gente botando pelo ladrão!




Mas opção não faltava! Os bares todos com placas e cartazes anunciando a transmissão da partida Japão X Holanda. Cada qual com uma promoção diferente. Aliás, no que a gente acabou entrando, a promoção era a seguinte: a cada gol do Japão, quem estivesse com a camisa da seleção e pedisse uma porção de batatas fritas, ganhavam um copo de cerveja!! Prestou atenção né? Para ganhar 1 copo de cerveja, o Japão precisava fazer um gol + vc tinha que estar com a camisa azul da seleção japonesa + vc tinha que pedir uma porção de batatas fritas! Aí sim, você ganhava um copo de cerveja!



Bom, seria pouco se fosse um pé sujo de esquina. Mas para onde nós estávamos, até que era um presentão. Isso porque fomos parar em um, com eu poderia dizer, um centro de recreações para adultos, digamos assim...o local era chique. O bar ficava no terceiro andar de um prédio em uma ruela pacata. Dentro parecia aqueles bares de casino....com lustres, sofás pretos acolchoados, piso catapetado de coloração vermelha e até minipalcos nos cantos com barra de ferro dourada e tudo!! Mas parece que ontem, o inverninho estava temporariamente suspenso! Tinha até umas diabinhas lá, mas a maioria, parecia estar lá mesmo para assistir à partida.



E foi maneiro! Cada lance perigoso a galera gritava! Sim, eles também gritam. Eles também comemoram em lances bonitos, mas claro, há algumas diferenças. Achei maneiro por exemplo a galera bater palma qdo o goleiro em momento de perigo rebate a bola do adversário. Eles aplaudem! Bom, isso eu sei que tem gente que faz ao vivo lá no estádio, mas bater palma e todo mundo junto certinho, achei maneiro. Agora a diferença principal é claro,o comportamento. Não se ouve UM palavrão! Nada!



Outra diferença que notei foi a narração em japonês. Olha! Falem o que quiser do Galvão Bueno, mas o cara passa uma emoção gostosa. Em japonês, não tem graça nenhuma! Primeiro porque é em japonês, tudo bem, mas os caras não narram o jogo propriamente dito. Eles ficam comentando o tempo todo!!!! Claro, isso pode até ser uma característica do canal que tava lá na hora, mas os caras falavam simplesmente o tempo todo. Não se ouve o nome dos jogadores, quem está com a posse da bola, quem vem por trás, nada, nada disso. Agora, cá entre nós, vc assistiu ao jogo do Japão?? Não?! Só deu TULIO!!! Isso mesmo, o brasileiro naturalizado japonês que joga na seleção do Japão! O cara estava em toda parte e só tirou o Japão de poucas e boas!! O cara mandou muito bem!!! No final do jogo, ele foi inclusive o primeiro a ser entrevistado!!! Bom, não deu para ouvir nada porque assim que acabou o jogo, o DJ soltou a música e o inverninho virou uma boate!! Maneiríssimo!!!


Na volta, cheio de camisas azuis voltando para casa, quase no último trem da noite. Todos quietos como se nada tivesse acontecido - ou conformados porque sabiam que ganhar da Holanda era querer muito (olha o veneno!). Os mais animados estavam nitidamente bêbados e comemorando como se tivessem ganhado a partida...kkk. Mas valeu a bagunça. O que valeu foi a festa, a música, a bebida e a diversão! Enfim, foi uma experiência!

17/06/2010

Grécia x Nigéria na TV: Fala sério!


Ligo a televisão agora e qual não foi minha surpresa (decepção, indignação e afins....) ao ver que estão transmitindo na tevê aberta, o jogo Nigéria e Grécia!!! Tudo bem, não sejamos patriotas ao extremo e muito menos preconceituoso, mas cá entre nós..., pensa comigo! Os caras passam um jogo desse, mas não passam a primeira partida do único país a participar de todas as copas, do time cinco vezes campeão e um ícone no mundo do futebol em todo o mundo!!!! Vai entender!!!



Meu amigo disse que eu só penso assim porque eu sou brasileiro e queria assistir ao jogo do meu time na tevê e não consegui. Será que ele tem razão? Alguém vê coerência em transmitir Grécia x Nigéria e não transmitir BRASIL x Coreia do Norte??? Será que estou sendo realmente patriota ao extremo? Enfim...



...obrigado a todos que se compadeceram de alguma forma do meu drama e me indicaram diversos sites para acampanhar a Copa do Mundo, já que os caras aqui, sem noção... não transmitem o jogo do time que eles mesmos chamam de "País do Futebol". Vai entender!

15/06/2010

Brasil x Coreia do Norte: Sofrimento em dobro !


São 5h20 da manhã no Japão. Final do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo da África do Sul. Que sofrimento! Mas pelo menos o Brasil ganhou o jogo e é isso que importa na contagem final. Mas sofrimento mesmo foi o meu. Ontem!



Estava eu tranquilão no trabalho quando, já na hora de sair, perguntei aos colegas brasileiros: "e aí, vcs vão ver o jogo?". E eles, como uma cara de interrogação me deram a grande notícia: "como? se não vai transmitir?" . Juro que, no fundo, no fundo, eu achei que eles estivesse brincando e que depois de verem a minha cara de indignação, eles fossem rir e me diriam: "brincadeira! vai sim! vamos ver sim, claro!".



Mas, porém, contudo, todavia e entretanto, a minha indignação se tornou real qdo eles me mostraram uma revista com todos os jogos que seriam transmitidos e PASMEM, o jogo do Brasil NÃO estava na lista!!!!

Aí vem outro brasileiro e tenta me tranquilizar e diz: "eu vejo pela internet". Mas o comentário dele foi em vão! Isso pq eu logo imaginei, entrar num site da vida e ficar lendo frase por frase, esperando que uma alma caridosa atualize o site a cada lance...frase...por...frase. Sem imagem. Sem movimento. Sem emoção. Só frases após frase.



Mas quem salvou a pátria desta vez foi uma peruana! Uma colega de trabalho peruana ouviu o nosso papo e indicou um site na internet que transmite várias coisas, ao vivo e à cores!! E que no site estavam sendo transmitidos os jogos da copa!!! Fiquei meio assim, pq logo imaginei: "ok, tá. e qto é para assistir à transmissão do jogo?". Mas não! para a minha alegria eu estava redondamente enganado! Era grátis!!! Na faixa!!! 0800!!!



Fui para casa feliz da vida! Dormi um pouco e acordei às 3h30 da madruga para assistir ao jogo! Por via das dúvidas - e teimoso que sou - liguei a tevê com uma pitada mínima de esperança. Mas...nada! Nem sinal de copa do mundo....



O jeito foi seguir o conselho da colega peruana e acessar o site http://ja.justin.tv/ e tentar ver qual é. Deu tudo certo! Ou melhor....quase tudo.Eu consegui achar o site, o canal, o jogo do Brasil, mas após 10 minutos de alegria, travou tudo! Rebutei, entrei no site, no jogo do Brasil, dei play e depois de 10 minutos....puft! ...todos os jogadores viram estátuas! P### que P####!!!! Enquanto a bola estava rolando...eu estava tentando assistir ao jogo de qualquer maneira porque eu moro no Japão e sabe-se lá o porquê, mas o jogo não estava sendo transmitido na tevê aberta!!!!!!Fala sério!!!!



Entrei no msn para chorar minhas mágoas com alguém que estivesse online às 16 e pouca no Brasil. Mas, claro, Julio: quem estaria no msn durante o jogo do Brasil?!?!?! Que burro! ...e realmente, ninguém online! O jeito foi me entregar à transmissão frase-por-frase. Acessei http://msn.temporeal.lancenet.com.br/. Que situação!



De repente outra alma caridosa aparece - a primeira é o carinha que atualiza o site frase por frase! Um amigo no msn que me vê online e vem me dá um alô amigo! Primeiro ele toca na minha ferida ao perguntar: "e aí? tá acordado vendo o jogo?". Pensei em respondê-lo à altura, mas eu não podia culpá-lo. Quem poderia imaginar que no Japão! País da tecnologia! Ex-sede da Copa do Mundo! ...fossem capaz de não transmitir o jogo do país pentacampeão e o único a participar de todas as copas do mundo!!!!!! Quem?!?!! Quem?!?!!?



Mas foi depois de chorar minhas mágoas com ele, lá vem ele com outro site de transmissão ao vivo! E pergunto: "é de graça?". "Sim", disse ele. Agora o mais importante: "transmite mais do que 10 minutos???". Ele nem terminou de dizer "clar.." e eu já fui que nem assaltante pra cima dele. Passa!Passa! Passa logo o site!!!Anda!!! Passa logo!!!


E eleme indicou o www.brliveup.co.cc/ ! Aí sim! Foi só correr pro abraço! Bom, nem tanto né? Meu sofrimento continuou, claro - quem viu o jogo sabe - ....mas pelo menos, eu estava assistindo ao jogo do Brasil! Sem frases. Sem estátuas.... e sem poder gritar!

Fala sério!
...bom, tudo bem, não foi o resultado que todo mundo esperava. Mas pelo menos ganhou né! E eu, particularmente, fiquei ainda mais contente com o resultado! Por que? Porque foi 2 x 1 para o Brasil que eu apostei no bolão!!!! Brasil sil-sil !!!

12/06/2010

Editora brasileira participa da maior feira de livros do Japão de Tóquio

É em Tóquio que é realizada se não a maior, uma das maiores feiras de livros do Japão! São mais de 1.000 editoras participantes, entre empresas japonesas e estrangeiras!


O Brasil estará representado por uma única empresa, a Callis Editora Ltda. Este ano, a Feira Internacional de Livros de Tóquio ・東京国際ブックフェア・toukyou kokusai bukku fea será realizada no Tokyo Big Sight entre os dias 8 e 11 de julho, mas somente aberta para o grande público nos dias 10 e 11. A entrada custa 1.200 ienes para quem não tem convite. Quem quiser convite - e tiver paciência de preeencher um pequeno formulário - , pode fazer o pedido pelo site do evento. Clique AQUI para acessar o site e AQUI para acessar o mapa do local!

Brasileiro em comercial da SoftBank

O brasileiro naturalizado japonês Rui Ramos (em japonês: ラモス瑠偉) - que já jogou até na seleção japonesa de futebol - e, vive no Japão há mais de 20 anos, está no novo comercial da SoftBank - que não é banco, mas sim um operadora de telefonia celular!





Não sei se já contei aqui no blogue, mas tive a oportunidade de conhecer o Rui Ramos quando eu morava no Brasil ainda. Na primeira vez emque estive no Japão, em 97, eu o via pela televisão, mas era um brasileiro como outro qualquer, só que aparecia na tevê falando japonês e pronto, nada mais que isso.

Um dia,meu chefe japonês me ofereceu um bico de intérprete no Maracanã e quando cheguei lá, quem estava? Ele ! O próprio! Fiquei nervoso, claro e, para ser sincero, fiquei até com o pé atrás porque imaginei que o cara devia ser muito marrento. Que nada!

O cara foi muito gente fina e sempre me tratou com respeito e educação. Me lembro até que no último dia de trabalho, depois de 4 ou 5 dias junto com a equipe japonesa, os caras estavam combinando de almoçar no Porcão. O Rui mesmo chegou para mim e disse: "Tu vai lá tbm?". Eu, n:ao podia mentir e respondi que n:ao porque eu n:ao havia sido convidado. E ele, prontamente falou em português claro: "Ué? Os caras não te chamaram não? E tu trabalhou pra quem ora? Não, não! Tu vai sim. Eu estou te convidando!".

Só para finalizar, desta vez quando vim ao Japão para morar, fui a um evento do Brasil em que ele participava. Confesso que não fui por causa dele, até pq imaginei que depois de 2 anos, ele jamais se lembraria de um cara que fez um bico no Brasil. Ainda mais ele que vira e mexe participa de eventos brasileiros por aqui...

Que nada - parte II! Fui cumprimentá-lo e ele logo me disse: "Rapaz o que tu tá fazendo aqui!?" . Foi maneiríssimo. Mas nunca mais nos falamos...mas que foi maneiro, foi!

Novidades? Não.

Sexta-feira passada eu li no Yahoo! Japan essa notícia. Copiei e colei e um arquivo para poder escrever um post maneiro sobre o documento, mas a falta de novidades e a seriedade do problema de suicídio no país me desanimaram completamente. Em todo caso, resolvi traduzir algumas linhas mais importantes desta notícia que todo ano sai nos jornais aqui no Japão. E o número só aumenta...



JAPONÊS・日本語

内閣府は6月11日、2010年版「自殺対策白書」を発表した。それによると、昨年の自殺者は3万2845人で、12年連続で3万人を超えた。


O Gabinete divulgou no último dia 11 de junho, o documento oficial sobre suicídio no Japão. De acordo com o documento, 32.845 se suicidaram no ano passado, número que pelo décimo segundo ano consecutivo, ultrapassou a casa dos 30 mil.

 白書では、宮崎県のインターネットを活用した相談事業など、地域の先進事例16件を紹介。また、自殺死亡率を減少させた「自殺対策の先進国」としてフィンランドを紹介している。


No mesmo documento, foi apresentado dados sobre o trabalho feito pela internet, na província de Miyazaki, e os 16 último casos ocorridos na região. Além disso, o documento também fala da Finlândia e apresenta o país como país desenvolvido que conseguiu diminuir o índice de suicídios.

白書は07年から発表しており、今回が4回目。政府は今年2月の自殺総合対策会議で「いのちを守る自殺対策緊急プラン」を策定し、国および地方による積極的な施策が必要としている。

O documento oficial sobre suicídio no país é feito desde 2007 e esta é a quarta vez que é elaborado. Em fevereiro deste ano, na reunião geral para medidas contra o suicídio, o governo japonês, criou o plano urgente para criação de medidas contra suicídios para proteger a vida das pessoas, e considerou serem necessárias medidas mais ativas criadas pelos governos nacional e regional.



VOCABULÁRIO・ボキャブラリー

内閣府・naikakufu・Gabinete Geral
自殺者・jisatsusha・suicida
連続・renzoku・consecutivo
超える・koeru・ultrapassar
宮崎県・miyazakiken・província de Miyazaki
地域・chiiki・região
減少・genshou・diminuição
先進国・senshinnkoku・país desenvolvido
発表・happyou・divulgação
会議・kaigi・reunião
緊急・kinnkyuu・urgência
積極的・sekkyokuteki・ativo(a)
必要・hitsuyou・necessidade, necessário

DoNaDa

Me amarro nessa precisão japonesa...

...principalmente em material escrito!
A foto é do cartaz que fala sobre o vagão para mulheres. Veja bem até que horas vai o serviço!!






VOCABULÁRIO・ボキャブラリー

当駅・toueki・esta estação
平日・heijitsu・dia de semana
間・aida・intervalo, entre
付近・fukin・próximo
車両・sharyou・vagão
女性・josei・mulher, feminino
専用・sen'you・exclusivo

05/06/2010

COMENTÁRIOS RESPONDIDOS

Consegui responder alguns comentários e perguntas feitos nos últimos dois posts. Quem ainda não comentou, pode comentar à vontade. Quando eu puder, eu procuro responder. Quem comentou em algum outro post e eu não tenha respondido, peço desculpas. Se estou devendo alguma resposta, por favor, me contacte por email: muitojapao@gmail.com. Obrigado!

04/06/2010

Estou VIVO ! - com a tradução em português !

Eu sei. O blog andava meio abandonado. Mas estou VIVO e bem ocupado e entre um trabalho e outro, arrumei um tempo para retribuir o convite que a prefeitura local me fez qdo, no ano passado, me convidaram para sambar no Festival Internacional. Não me considero profissional e nem o melhor, mas sei sambar sim e gosto muito. Depois da minha apresentação, eles me convidaram para dar uma aula mais fechada de samba e falar um pouco sobre o meu país. A aula-palestra fazia parte do curso chamado por eles de Apresentação da Cultura Estrangeira. É verdade que no Japão ainda se vê e se sente coisas que nos fazem acreditar que estrangeiros não são lá muito bem-vindos pelos japoneses, mas ao mesmo tempo, é notório o esforço de alguns para que estrangeiros e japoneses, não só se respeitem uns aos outros, mas acima de tudo, se conheçam bem. Foi um prazer dançar e falar sobre o meu país para mais de 30 pessoas presentes num espaço para apresentações de dança e peças teatrais.





Ao final, todos vieram falar comigo e perguntar onde eu dava aula, porque eu falo japonês etc etc. Foi muito divertido e gratificante. Sei que não sou nenhum expert, nem em cultura brasileira e nem em história do samba, mas sei também que para eles, ver um brasileiro sambar ao vivo e a cores e ensinar uns passos, básicos que sejam, foi uma experiência muito boa. Assim eles me disseram. Ouvi ainda comentários do tipo: "Fiquei com vontade de conhecer o Brasil", "Quero um dia ir ao Brasil e dançar lá", "Aprendi muita coisa nova hoje", "Conheci um Brasil que não conhecia e fiquei curioso de visitar", "Não pensei que ia me divertir tanto hoje" e por aí vai. Fiquei muito feliz. Para quem quiser ter uma ideia de como foi, clique AQUI e veja a matéria no original em japonês.




PORTUGUÊS・ポルトガル語


Organizado pelo setor multicultural da prefeitura de Adachi, foi realizado no Le Sophia, a palestra "Conhecendo o Brasil através do Samba", ministrada por Julio Cesar Caruso. 34."Meu marido foi transferido temporariamente pra a Bolívia - é isso mesmo, Bolívia (rs) - e sempre achei o carnaval muito divertido e queria de qualquer maneira entrar no ritmo do samba", disse uma senhora na faixa dos 60 anos. Ela era uma das 33 pessoas que se inscreveram para participar do evento. Fluente em japonês - eu juro que estava escrito isso - , o professor Caruso é natural do Rio de Janeiro. Há 9 anos no país, atualmente ele trabalha em uma empresa de telecomunicações. Caruso participou no ano passado do Festival Internacional de Adachi e sua bela apresentação de samba fez um grande sucesso. Na palestra, ele começou falando do Brasil.


Segundo explicou, o Brasil é formado por uma diversidade de culturas de vários países por conta da imigração de vários povos e com isso, dependendo da região, o sotaque e a cultura local são bem variadas. Caruso também falou da bandeira nacional, do hino, da culinária, da alegria do seu povo e de como o carnaval, realizado em fevereiro, influencia nas atividades do ano no Rio. Na hora do samba, os partipantes seguiam o professor que mexia as cadeiras e os braços e mostrava um pouco de como é ter samba no pé. A cada música, todos entravam no ritmo do samba e assim o sorriso no rosto de cada aluno ia se espalhando.


Caruso também comentou da importância de se falar o idioma local e disse: "Eu falo português, mas já que estou no Japão, procuro, sempre que posso, usar meu japonês". Depois de 2 horas de conversa e muito samba os participantes se mostraram extremamente satisfeitos e no fim, eram todos sorrisos. No próximo curso sobre multiculturas será a vez da Coreia, com a palestrante contando um pouco sobre o seu país e ensinando um pouco da culinária coreana.